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Mário Lemos e Collell

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Mário LemosVai decorrer no próximo fim-de-semana a 12ª edição do Memorial Prof. Mário Lemos.

Uma vez mais Mangualde a cidade natal do professor vai acolher este evento, que excepto Algarve e Santarém conta com a presença das restantes Associações Distritais do continente. Relembrar a figura do Prof. Mário Lemos é um dos objectivos deste evento, motivo que me leva a narrar esta pequena história.

Já o disse várias vezes, que a minha estadia em Collell, onde a Federação Espanhola de Basquetebol faz a detecção de talentos para formar as suas selecções nacionais de jovens, e a longa conversa que mantive com Josep Bordas, foram experiências únicas, que me encantaram como não acontecia há muito tempo. À medida, que vamos envelhecendo, a probabilidade de nos surpreenderem e fascinarem vai, sem dúvida, diminuindo. Contudo, já não é a primeira vez que me acontece, quando oiço outras pessoas, as suas intervenções fazerem-me relembrar conceitos e ideias entretanto esquecidos, que em tempos me tinham sido transmitidos pelo Prof. Mário Lemos. Talvez por ser muito novo creio que nem sempre compreendi, na altura, o alcance integral das suas sábias palavras e acções. No entanto é impressionante como estas deixaram marcas profundas na minha memória. Às vezes basta um pequeno estímulo, uma ideia esquecida, como várias pistas que a psicóloga, Elisabeta Reato deixou na sua conferência durante o Fiba Europe Get Together que decorreu em Milão, para na minha cabeça brotarem conceitos e ideias que já tinha ouvido. Mais recentemente aconteceu-me o mesmo em Collell, com Josep Bordas, só que agora, penso que retiro destes conceitos uma compreensão mais aprofundada do alcance das suas ideias e acções. Mário Lemos foi muitas vezes incompreendido, mas hoje em dia, não tenho dúvidas em afirmar que foi um homem de enorme visão e como tal, um homem fora, ou melhor dito, antes do seu tempo. Vem estas considerações e a história que vou narrar, a propósito de relembrar, agora que uma vez mais vai decorrer mais um Memorial, a grande figura que foi o Prof. Mário Lemos

O que assisti em Collell foi a forma como um colectivo de treinadores, avaliando sobretudo comportamentos, perspectivam quem serão os talentos com mais condições e capacidades para fazerem parte das selecções jovens. Este colectivo de treinadores faz a sua avaliação essencialmente a partir da observação do jogo. O que pude observar em Collell trouxe-me à memória uma situação que vivi há cerca de 40 anos, e que curiosamente ou não, tem pontos de contacto com o que pude observar em Collell. O Prof. Mário Lemos era acima de tudo um perfeccionista na execução dos fundamentos, contudo quando se tratou de escolher um jovem português para participar no 1º Jamboree Europeu, que ia decorrer em Espanha, o Prof. Mário Lemos promoveu uma situação do jogo, de 5 x 5 jogadores, num dos campos ao ar livre da Escola Secundária Francisco de Arruda e pediu a vários treinadores, para observarem os jovens que estavam a jogar e votarem num deles. Já não me lembro quem eram os outros treinadores presentes. Eu era, certamente, o mais jovem entre todos, mas o Prof. Mário Lemos, meu tio por afinidade, também solicitou a minha opinião. Ainda hoje me lembro da minha escolha e da razão pela qual esse jovem recolheu o meu voto. A minha opção, como a da maioria dos treinadores presentes, recaiu sobre o José Couto, que jogou vários anos em diversos clubes, foi durante anos treinador e há cerca de três exerceu por um breve período as funções de Director Técnico da Associação de Basquetebol de Lisboa. 

Após o jogo de observação e selecção, no regresso a casa, na viatura do meu tio confessei que tinha escolhido o José Couto, pois era um bom executante, e o que mais me tinha impressionado, era o facto de, apesar de ser mini já lançar em suspensão tão correctamente. Para grande espanto meu o Prof. Mário Lemos, que como referi era um perfeccionista das execuções dos fundamentos disse-me que o seu voto não tinha recaído sobre o José Couto, mas sobre outro jovem, que já não me recordo do seu nome. Claro que esse facto aumentou a minha curiosidade e então surgiu a sua explicação. Embora reconhecesse, que do ponto de vista das execuções o José Couto era um jovem conspícuo, na sua opinião o outro jovem jogava mais colectivamente e tinha uma compreensão mais ajustado do que deve ser o jogo. Em Collell esse é um dos pontos, que mais é avaliado pelos treinadores presentes, no entanto, respeitando a opinião dos treinadores que tinham estado naquela tarde na Escola Francisco de Arruda, e como a votação tinha recaído sobre o José Couto, foi este que teve o privilégio de ir a Espanha representar Portugal no 1º Jamboree Internacional de Minibásquete.

 

Comentários 

 
+6 #1 João RIbeiro 18-12-2011 00:34
A história da humanidade está recheada de personalidades incompreendidas durante a sua vida, mas que mais tarde os seus ensinamentos inspiraram muita gente e desencadearam autenticas doutrinas, modas ou religiões. Da mesma forma a ciência ocultou muitas teorias que, em determinada altura surgiram como verdades "absolutas" sobrepondo-se ao que era vigente.
Nesta lógica há que ter esperança, pois haverá um dia em que irá emergir novos pontos de vista, novas abordagens...e aí o Prof. Mário Lemos, de incompreendido passará a iluminado. Não há-de faltar muito. Sejamos pacientes não passivos!
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