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Adeus pai

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FracoBom 

San PayoHoje não vou falar de basquetebol. Hoje apenas quero falar do meu pai e da imensa sabedoria como me soube educar. Em toda a minha vida, o meu pai assistiu apenas a dois jogos de basquetebol em que estive envolvido,

um como jogador do único clube pelo qual fui praticante, o Clube Internacional de Futebol, e outro como treinador, quando treinava os iniciados do Queluz, a geração nascida em 1979. Nenhum dos jogos foram momentos altos. Eu diria mesmo, com alguma ironia, que o primeiro até foi um momento baixo, pois foi um jogo no Barreiro no pavilhão da CUF, atualmente, pavilhão da Quimigal, entre o CIF e o Sp. Olhanense, um jogo de desempate, para apurar quem descia da 2ª para a 3º Divisão do Campeonato Nacional; e o outro foi em Queluz, no pavilhão Henrique Miranda, já nem recordo quem era o adversário. Não foi um jogo para decidir nada, nem apuramentos, nem títulos, foi apenas um jogo. Lembro-me, que o jogador, que mais na memória ficou do meu pai foi o Marco. Em várias ocasiões, das poucas vezes que falámos de basquetebol, o meu pai referia sempre a velocidade, com que o Marco, elemento mais baixo da equipa, como surgido do nada, aparecia a finalizar contra-ataques.

Hoje não vou falar de basquetebol. Hoje apenas quero falar do meu pai e da forma atenta, comprometida e empenhada, que sempre me apoiou nesta paixão, que se chama ensinar basquetebol. O importante para se ser feliz, são valores, poder andar sempre de cabeça erguida, e ter algo na vida que se goste mesmo de fazer. Nada disto me foi transmitido explicitamente, mas tudo na sua imensa sabedoria estava lá. Sempre pude confiar em ti, nunca me recriminaste, mesmo quando, mais do que uma vez reprovei. Sei que sentiste um grande alívio, quando percebeste o meu genuíno entusiasmo pelo basquetebol. O caminho estava encontrado e sempre apoiaste incondicionalmente, o meu gosto por esta minha actividade. E, a partir do momento, que por volta dos 15 anos comecei a jogar, nunca mais reprovei na escola e toda a minha vida, de forma directa ou indirecta tem sido, mais do que em torno do basquetebol, em torno do legado de valores que me soubeste transmitir.

Hoje não vou falar de basquetebol, pois nunca pensei que o alívio de deixar de te ver sofrer, me causasse tantas lágrimas e dor. Nestes últimos dias da sua vida estava cansado exausto e naturalmente não queria mais viver, mas como sempre defendeu a alegria de viver, com a coerência, que foi um dos traços da sua vida, tinha medo de morrer. Vive e deixa viver, era uma das suas máximas que implicam o respeito por quem nos rodeia.

Hoje não vou falar de basquetebol, porque sempre que eu esteja, num campo, num pavilhão, num jamboree, num treino, numa acção de formação, etc, etc, sempre que eu esteja seja onde estiver, sempre que eu vá onde for, o legado do meu pai está dentro de mim, pelo que nunca será possível despedir-me de ti…


Silêncios certos
António San Payo Araújo

Silêncio sábio
Ausência presente
A palavra no lábio
Esconde o que sente

Silêncio confiante
Palavra certa
A vida é um instante
Uma janela aberta

A vida é e será
Sempre surpresa
Mas confiar em ti
É a minha certeza
 

Comentários 

 
+5 #11 San Payo Araújo 03-12-2014 20:50
Amiga Andreia

Muito obrigado pelas tuas amáveis palavras, quanto ao elogio à qualidade do texto vindo de uma professora de português, eu que em tempos como disse no texto fui considerado mau aluno, tem um sabor especial...

Beijinho

San Payo
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+6 #10 AndreiaCarriço 02-12-2014 16:23
San Payo,

Até num momento de dor as palavras fluem e conseguem arrepiar. Lamento a sua perda e o seu sofrimento. A vida leva-nos quem mais gostamos mas as memórias fazem com permaneçam sempre connosco.

Um grande beijinho carregado de força!
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+6 #9 San Payo 28-11-2014 12:44
Caro Marco

São palavras de reconhecimento como as tuas que são as minhas maiores "medalhas". Como estou a treinar o MB do Belenenses pode ser que nos cruzemos novamente e terei um gosto enorme de ver o teu filho jogar e provavelmente lembrar-me do pai.

Amiga Paula e a todos os que comentaram o meu texto mais uma vez o meu muito obrigado.
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+8 #8 Marco Vieira 28-11-2014 09:32
Hoje, sendo eu já um Homem crescido e com um filho (Diogo) de 8 anos também ele hoje jogador no Queluz consigo ver e avaliar aquilo que nos ensinaste. Para além de nos ajudares a ser uma equipa extraordinária a jogar basket, com um método único e excecional para os "mini" que éramos percebo também que nos fizeste crescer com ensinamentos e maneiras de estar que vão muito além de apenas técnicas e táticas de jogo.
Quero agradece-te e dizer que foi um privilégio em poder dizer ao meu filho que foste em tempos meu treinador e espero que também ele tenha a mesma sorte que eu tive nos treinadores ao longo dos anos que joguei. Um grande abraço com muitas saudades e muita força para este momento difícil!
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+7 #7 José Tolentino 26-11-2014 19:04
A vida é assim mesmo. A partida de quem nos deu o ser é muito dolorosa... mas não podemos mudar o destino. Um forte abraço.
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+9 #6 Paula Kneppeck 26-11-2014 14:51
Muitos sentidos pêsames! Um abraço apertado e que o seu pai descanse em paz.
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+8 #5 San Payo Araújo 26-11-2014 12:24
Caros amigos

Um muito obrigado pelas vossas palavras. Os vossos comentários trouxeram-me à memória mais duas expressões e lemas que o meu pai me transmitia: Dar tempo ao tempo, o tempo é um grande remédio. Frases simples de grande reveladoras de grande sabedoria

Como não sou um grande utilizador das redes sociais aproveito este espaço, para publicamente agradecer a todos, as mensagens de pesar que me endereçaram, quer através da presença no funeral do meu pai, quer através de telefonemas, sms, ou mensagens no fb.

Um abraço

San Payo
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+8 #4 Ana Freire 26-11-2014 09:05
Não ha mesmo palavras, comandante.
Por ti sinto a perda.

Um enorme abraço
RIP
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+8 #3 Mario Barros 25-11-2014 23:59
Sentidos Pesames
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+9 #2 Humberto Gomes 25-11-2014 21:17
Em hora difícil e de dor, porque todos temos o mesmo destino, há que ter resignação.
O teu tempo continuará, ficarás com a saudade e o sentimento de nada poderes fazer.
Que descanse em paz.
Um abraço amigo de solidariedade.
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