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Pedagogia do afeto

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por Dr Pablo Di Cesare EsperA pedagogia do afecto, (tradução de “pedagogia de la caricia”) e o seu impacto sobre a formação da criança atleta é um tema que não pode deixar, quem se dedica ao minibásquete, indiferente.

Tinha dito, que em Janeiro, voltaria aos temas técnicos e da pedagogia do treino. Nada melhor do que começarmos pela tradução dum excelente texto do Pablo Esper di Cesare, no qual me revejo, e que me fez lembrar uma frase, que utilizo com frequência em ações de formação, em que abordo este tema.

Quando vejo um treinador de mini aos gritos ou berros com uma criança, salvo raríssimas excepções, a culpa é do treinador”.

Procurar e encontrar as razões desta minha afirmação no texto abaixo transcrito é uma boa forma de começarmos o ano, período em que frequentemente pensamos no que poderemos melhorar no nosso desempenho. É também  um óptimo exercício de reflexão.

Boas reflexões, bom trabalho e um excelente ano, são os meus votos para todos e tenhamos esperança de algum dia poder trazer a Portugal, o argentino Pablo Esper, na actualidade um dos mais notáveis professores e treinadores das primeiras etapas da nossa modalidade.


A pedagogia do afecto e seu impacto sobre a formação criança atleta
por Dr Pablo Di Cesare Esper

A pedagogia na formação e ensino do desporto infantil é um tema pouco abordado nas acções de formação. Favorecemos a exibição de muitos exercícios e jogadas, mas sem nos determos como corrigir erros de movimentos ou na razão, porque estes surgem.

Em muitos casos, os formadores de jovens não têm formação específica neste âmbito, replicando com as crianças modelos obsoletos aplicados aos mais velhos, mesmo sabendo que a “psique” duma criança é diferente da do adulto, pelo que o ensino e aprendizagem são necessariamente diferentes.

Em primeiro lugar é importante considerar, condição “sine qua non”, que para a criança aprender é importante que o clima emocional do treino seja alegre e de acordo com seu grau de maturação. Para gostar de voltar, a criança tem que sentir o prazer do movimento, o prazer de aprender e sentir prazer do que aconteceu no treino. É uma questão de fundamental importância, que a criança desfrute do seu treino. Esse é o primeiro passo para alcançar a adesão à actividade desportiva.

O segundo passo é saber como a criança aprende. Será que os treinadores sabem, que as crianças até 8-9 anos não tem a capacidade de abstracção intelectual do movimento, razão pela qual aprendem muito mais através da demonstração, do que através de longas explicações teóricas? Será que os treinadores sabem que a partir de 10 anos de idade se deve diminuir as demonstrações e aos poucos aumentar as explicações? Será que sabem que essas explicações se devem basear em pormenores técnicos fundamentais do movimento? Que essas explicações devem ser poucas, concisas e concretas? Esta é a fase quando a criança começa a construção da ideia - motora, através da qual vai interiorizando os movimentos, com base nas explicações do treinador.

A terceira etapa é saber, se devo começar pelos gestos técnicos ou começar por uma situação de jogo simplificado. Eu sou da opinião de que nos pré-mini e mini não existem gestos técnicos, que não tenham por base em um gesto motor global. Por exemplo, é muito difícil para uma criança aprender o drible de inversão, sem antes conseguir correr e girar 360 ° sem bola, sem perder velocidade e a Direcção. Um de conteúdo motor geral é a base de um gesto técnico específico, facto que um treinador nunca deverá esquecer.

Para começar devemos criar uma situação simplificada, em que a criança deve aplicar o gesto técnico que queremos trabalhar no treino. Depois através de questões orientadoras devo ajudar a encontrar as respostas para a acção motora desejada, até encontrar a solução para o problema. Uma vez apresentada a razão para a qual, serve a aprendizagem de um gesto técnico isto, como diria Ausubel, ajuda e dá sentido à sua aprendizagem. Para exemplificar passemos à situação de 1 x 0 e iremos decompor este movimento em etapas técnicas acessórias, até que criança possa desempenhar o fundamento com fluidez e uma vez dominado colocá-lo na situação de jogo, para que o ponha em prática.

Aqui surge uma questão da pedagogia, não menor. O fundamento que estou a ensinar é ofensivo? Então, quando é que passo para 1x1 ou 2x2, deve haver limitações da defesa para que a criança possa aplicar o fundamento que está a aprender com sucesso? Devem essas limitações passar por diferentes fases como defesa passiva, apenas acompanhando o atacante com os braços atrás das costas, utilizando os braços, mas não podendo roubar a bola, podendo utilizar uma das mãos para roubar a bola, condicionando o espaço, mas permitindo o roubo de bola, até à situação real defesa completa.

É neste momento em que chegamos ao cerne da nossa ideia. Com que pedagogia corrigimos os erros? Consideramos o erro como parte da aprendizagem ou como algo punível que não deve e pode acontecer?

Eu sou um defensor intransigente da pedagogia do afecto, o que significa que, se uma criança não entende o exercício, o principal responsável sou eu o treinador, por ter escolhido um exercício que está, parafraseando Vygotsky, fora da sua zona de desenvolvimento, e como tal não pode ter sucesso.

Por outro lado, um segundo erro pedagógico é padronizar todos os jogadores com o mesmo exercício, quando todos temos pelo menos, três níveis de jogadores na mesma equipe, pelo que devíamos apresentar de acordo com as capacidades das crianças, exercícios diferentes para que estas alcancem o êxito que reafirme a sua auto estima.

Aqui chegamos a um tema central. Como corrijo o erro? Mais uma vez pomos o foco na pedagogia do afeto. O treinador deve ter sempre presente que o seu papel é ajudar a aprender e não simplesmente ensinar. Para isso, a maneira de lidar com a criança nunca deve ser mostrando a sua incompetência ou incapacidade. (Ninguém responde bem aos mau tratos ou aos gritos, nessa alturas normalmente, entra em acção a “pedagogia do porco espinho”, a criança levanta os seus espinhos de defesa).

O treinador que pratica a pedagogia do afecto deve respeitar e seguir os seguintes passos:

  • Ter claro que a centralidade de sua acção pedagógica é a criança que está a aprender.
  • Que não deve dar a resposta ao erro, mas deve usar questões orientadoras que ajudem a criança a encontrar a solução ajustada ao seu nível de aprendizagem.
  • O caminho de aprendizagem para um fundamento, não deve ter um único caminho, mas deve levar em consideração a teoria da variabilidade da aprendizagem.
  • É o exercício que deve ser adaptado às possibilidades motoras, intelectuais e emocionais da criança, não a criança adaptada ao exercício.
  • Deve-se usar o reforço positivo apontando sempre em primeiro lugar os aspecto que executa bem, antes de analisar o que deve ajudar a melhorar.
  • E se, apesar de tudo isto não encontramos a resposta em conjunto, devemos modificar as actividades planeadas para encontrar outra estratégia para ajudar a aprender.
  • Por fim, devemos centrar a acção pedagógica nas etapas da formação com base nas teorias de motivação da capacidade de realização e não na motivação do êxito.

Porque o desporto infantil deve ser uma etapa agradável na formação da integral da criança, cada vez mais os treinadores devem rever as suas práticas e não deixar de aplicar a pedagogia do afecto.

 

Comentários 

 
+25 #1 Pablo Esper Di Cesar 21-01-2015 13:51
Muchas gracias por considerar importante mi articulo. Estoy a su disposición y ha sido un honor.

Dr. Pablo Esper Di Cesare
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