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Um contra um com Rui Pinheiro

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Rui Pinheiro, um dos melhores basquetebolistas de todos os tempos e um senhor fora dos campos numa entrevista cativante e inspiradora. Um exemplo a seguir, sem dúvida...

Quando começou a jogar e onde?

Comecei a jogar basquetebol no Sporting Clube de Lourenço Marques em 1967, com 14 anos.

Continua ligado ao basquetebol. O que faz neste momento?

Continuo e continuarei sempre ligado ao basquetebol, é um "casamento" insolúvel. Neste momento, por falta de tempo, apenas continuo ligado ao basquetebol corporativo na Caixa Geral de Depósitos, SA, participando no Campeonato do Inatel. Em termos pessoais continuo a dar o meu apoio ao Estoril Basket no seu projecto de crescimento.

Qual foi o jogo mais marcante e qual o título mais importante na sua carreira enquanto jogador?

O jogo mais envolvente em que participei, e que me permitiu ser campeão nacional de juniores, foi o realizado em Leiria em 1971 contra o F.C. Porto, alinhava então pela equipa do S.C. Portugal. É um jogo que fica definitivamente marcado na minha vida desportiva por ter conseguido, no último segundo, os dois pontos que nos deram o título. O título mais marcante foi, no entanto, o conseguido em Luanda, no Campeonato Nacional de Séniores em 1972.

Qual era o jogador mais difícil de enfrentar nesses tempos?

O jogador mais difícil de enfrentar, o Mário Albuquerque, felizmente jogava na minha equipa. Em termos de adversários houve imensos jogadores do mais alto nível durante o tempo em que estive na alta competição. Lembro-me, entre outros de: Paulo Carvalho, Quim Neves, Quen Gui, Eustácio Dias, Samuel de Carvalho, Pratas, José Luis, Carlos Santiago, etc.

Qual o treinador que mais o marcou e porquê?

Sem dúvida alguma Adriano Baganha. A sua capacidade técnica e inovadora para a altura, bem como o grande carisma em termos de "balneário" fizeram dele um dos melhores treinadores que passaram por Portugal.

Qual foi a melhor equipa da qual fez parte? Quem jogava nessa equipa?

A do Sporting Clube de Lourenço Marques, sem dúvida. Esperando não me esquecer de ninguém, a equipa era composta por, além de mim: Mário Albuquerque, Nélson Serra, Tomané Alves, Victor Morgado, Terry Jonshon, João Romão, Luis Almeida, Belmiro Simango, Morais e Periquito.

Desafiamos-lhe para fazer o melhor cinco de todos os tempos do basquetebol Português, respeitando os posições.

Com todo o respeito pelos grandes jogadores que houve em Portugal, eu escolheria: Quim Neves e Mario Albuquerque a postes, Carlos Lisboa e Paulo Carvalho a extremos e Augusto Baganha a base.

Quais são as principal diferenças entre os tempos em que jogou e o basquetebol actual?

As grandes diferenças situam-se basicamente em três pontos: Defensivo, atlético e técnico. Devo no entanto acrescentar que o "jogo" tem vindo a perder (pelo menos em Portugal) alguma da sua espectacularidade, que tantas pessoas arrastava até aos pavilhões. Os jogadores estão mais cingidos aos aspectos técnicos e é-lhes dada pouca liberdade para extravasar a sua criatividade. Acho que se exagera em demasia no jogo "controlado" e o espectáculo perde imenso com isso. Um exemplo do que digo, e todos estão por certo recordados, foi a final olímpica deste ano entre a Espanha e USA, em que ambas as equipes nos apresentaram um basquetebol aberto, criativo ao nível das individualidades presentes no jogo, tecnicamente perfeito sem deixar que a rapidez fosse uma constante. Resultado: UM JOGO MEMORÁVEL.

Também trabalhou como treinador de escalões jovens. Quais são as principais diferenças entre a formação do seu tempo e a formação de hoje?

Nos escalões de formação existia uma vantagem que infelizmente hoje não existe, pelo menos em Portugal. A rua. Enquanto que no meu tempo de adolescência a rua era o nosso "habitat" desportivo, em que tudo dava "jeito" para jogar basquetebol, desde a arvore até ao cesto feito por nós com as cintas dos barris e à possibilidade de ter sempre um campo disponível com bolas para nos recrearmos, hoje em dia isso acabou. Os espaços são de difícil acesso para a maioria dos jovens, a rua tornou-se local de criminalidade e esses factos obrigam os encarregados de educação a permanente acompanhamento dos seus filhos. O tempo disponível para a prática diminuiu imenso. Por isso costumo dizer aos jovens que, nos períodos em que têm disponíveis o espaço para praticar basquetebol, devem aproveitar ao máximo para se aperfeiçoarem em termos de fundamentos do jogo e não desperdiçar esse tempo com pura brincadeira sem que tal lhes traga mais valia ou progressão como jogadores. Isso se quiserem ser atletas de alta competição amanhã.

É considerado por muitos um dos melhores jogadores e lançadores Portugueses de sempre. Qual o segredo para atingir um nível tão elevado? E o que pode aconselhar aos jovens que ambicionam atingir esse nível?

O sucesso que tive como lançador deve-se exclusivamente ao trabalho, persistência e atitude. Hoje em dia é vulgar chegar a um treino e ver os atletas de formação a lançar de 3 pontos. Sei que é vistoso mas os lançamentos treinam-se do cesto para trás e não ao contrário. Um bom lançador não treina o "tiro" ao cesto parado. Deve fazê-lo sempre a recriar os momentos do jogo por forma a que na competição esteja devidamente rotinado e possa aumentar as suas percentagens. Outro dos factores que pesa imenso no jogo é a atitude e auto-confiança do jogador. Mas se treinar com intensidade, sacrifício e atitude o reflexo no jogo será por certo positivo. Ultimo conselho aos jovens que querem jogar basquetebol (ou fazer qualquer outro desporto) ao mais alto nível: um grande empenho para um excelente desempenho, uma atitude forte trará um sucesso garantido, jogar numa equipa significa "dar" a 4 para "receber" de 4, respeitem todos os intervenientes (árbitros, dirigentes, treinadores e pais) pois esta é o único caminho para serem respeitados também e finalmente, amem o basquetebol pois é a única forma de serem felizes com as vossas conquistas e terem o "casamento" insolúvel de que vos falei no início desta entrevista.
 
 
 
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