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Falar do “Zeca” - Manuel Campos

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altManuel Campos jogava no Benfica quando defrontou Zeca Macedo e o seu Barreirense pela primeira vez. Alguns anos mais tarde, o destino e um convite do Barreirense levaram-no a treinar o clube capitaneado pelo Zeca.

Vale a pena ler o testemunho deste homem que conviveu com o "Zeca", nos dois lados do campo.


Falar de José Macedo, melhor, falar do “Zeca” é recordar uma vida desportiva de 64 anos, cheia de recordações e de emoções, umas boas, outras menos boas, que ainda partilhamos.

Essa partilha começou no já longínquo ano de 1955. Iniciamos na bola ao cesto e na competição em clubes adversários, o “Zeca” no seu Barreirense e eu no meu Benfica, ao atingir os 18 anos, logo nos defrontamos no escalão principal, disputando o Campeonato Nacional da modalidade. Foi uma época fértil em jovens esperanças que rapidamente foram chamados à Selecção Nacional Sénior. Dessa geração de juniores sobressaíam José Macedo e Mário Mexia jogadores da máxima influência nas respectivas equipas. Aos 18 anos José Macedo era já um basquetebolista de excelente qualidade e tal como Mário Mexia, da Académica, um temível e terrível encestador, rapidíssimo no contra-ataque e possuidor de uma leitura de jogo invejável.
 
Desde o nosso primeiro encontro, começou uma longa amizade que se foi consolidando através dos anos, com muitas experiências conjuntas, quer no papel de adversários em representações dos nossos clubes, quer como companheiros na Equipa Nacional.
 
Na nossa estreia internacional, em Madrid no velho Fronton Fiesta Alegre defrontamos a já muito poderosa equipa espanhola de Diaz Miguel, dos irmãos Martinez e C.ª, que nos mimoseou com um “centenário”esmagador.
 
Curiosamente, em 1963 quando efectuamos o nosso último jogo como colegas da Equipa Nacional voltamos a comemorar outro “centenário” desta vez no Brasil, frente à Selecção Brasileira campeã mundial de então. Depois o “Zeca” continuou a sua carreira de jogador, enquanto eu, entusiasmado com os resultados obtidos nos cursos de treinadores, decidi “virar” coach.
 
Mas as nossas vidas desportivas tinham de voltar a cruzar-se, desta vez com José Macedo como jogador e Manuel Campos como seleccionador num dos raros encontros Norte-Sul em que ambos representámos o Sul, como é evidente.
 
Em 1966 nova e enriquecedora experiência foi partilhada por nos dois, quando fui convidado para treinar a equipa sénior do F.C. Barreirense. Tive no “Zeca” um autêntico pilar de sustentação, sólido e seguro na condução de uma equipa muito jovem, constituída por muitos juniores, que sem o apoio do capitão José Macedo teria muitas dificuldades para cumprir os objectivos traçados. Foi nesta correcta relação de treinador – jogador que tivemos oportunidade de reforçar ainda mais a nossa amizade, através de uma entreajuda permanente vivendo conjuntamente todos os problemas que se nos deparavam. E mais uma vez o José Macedo, que eu aprendera a admirar primeiro como adversário, depois como colega de equipa e agora como jogador da equipa que eu treinava, demonstrou o seu carácter, com uma atitude e entrega que rondou o sacrifício, quando a sua esposa viveu sérias contrariedades com a saúde.
 
Por isso, José Macedo foi o grande culpado de ainda hoje continuar a juntar-me aquele grupo que ele capitaneou, no já célebre almoço das Velhas Glórias do Basquetebol Barreirense, que tem lugar uma vez por ano.
 
Mas os meus encontros com o “Zeca” são muito mais assíduos. Para além da conversa entre amigos surge a conversa entre treinadores e torna-se cativante falar com José Macedo, treinador que formou centenas de jogadores. Hoje, mais afastado da poeira dos ginásios, continua com as suas preocupações de formador, a tentar estoicamente modificar distorções que regem a modalidade, no que diz respeito aos jovens e à sua formação.
 
Por vezes, as nossas conversas, mais parecem o diálogo dos “velhos marretas”, agarrados que estamos às nossas utopias, aos nossos sonhos sobre o Basquetebol Português. Dois “velhos marretas” a falar de uma democratização do Desporto que nunca foi conseguida, a falar dos jovens que não jogam basquete porque os pais não têm dinheiro para pagar a sua formação, a falar de uma A.N.T.B. que ambos ajudamos a fundar e que hoje não funciona …
 
E falamos também de Esperança. Da Esperança de um dia as coisas de modificarem e melhorarem.
 
Porem enquanto não se vislumbra a mudança, José Macedo continua a sua luta, sem se cansar, trabalhando activamente na defesa dos interesses dos jovens praticantes de hoje e de amanhã. Voluntarioso como sempre, corajoso como sempre, olhos nos olhos como sempre!
 
Muito obrigado caro “Zeca”, por tudo o que aprendi contigo durante todos estes anos de convívio! Muito obrigado caro “Zeca” por poder envelhecer contigo e rejuvenescer subitamente, sempre que falamos das nossas utopias!

 

 


 
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