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Jorge Araújo: Um abraço para ti Zeca!

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altApelar à memória no que respeita ao Zeca Macedo, conduz-me desde logo àquela equipa do Barreirense onde pontificavam outros jogadores como o Albino Macedo e o José Valente.

Para a época (estou-vos a falar da década de 60/70!) o basquetebol praticado por aquela equipa onde o Zeca se destacava, era internacionalmente reconhecido.

Nomeadamente, sempre que jogavam no “velhinho” Pavilhão do Barreiro, não temiam ninguém e venciam quase todos que defrontavam. O Zeca era a “estrela”, claro. O Albino, a “cabeça fria” que o complementava. O José Valente, o “pivot”, no seu verdadeiro significado, pois era com o seu suporte que o Zeca interpretava como poucos o contra ataque e os seus lançamentos de concretização do contra ataque após dribling. Ainda me lembro de assistir a jogos espectaculares (a maioria no Pavilhão do Parque Eduardo VII), Barreirense/Sporting, Barreirense Académica, Benfica/Barreirense.
 
Que jogões, quanta paixão, que lições e duelos de vida que ainda hoje me sensibilizam.
 
Como viria a acontecer em muitos outros casos com jogadores daquela geração, enquanto dentro do campo, o basquetebol era ele. A sua forma de jogar não era muito colectiva e, inclusive, também nem sempre muito eficaz. Mas transbordava emoção, entrega, entusiasmo. Fazia muitos pontos, ao fim e ao cabo na proporção dos lançamentos que nunca temia fazer. Defender, nunca foi a sua especialidade. Mas desequilibrava a defesa contrária através da pressão constante que exercia com as suas saídas para o contra ataque.
 
Uma vez terminada a sua carreira de jogador, diria que aí começou verdadeiramente a expressar-se a verdadeira faceta do Zeca, enquanto apaixonado da modalidade. O que ele fez a partir daí, quanta dedicação e esforço entregou ao basquetebol português e a basquetebol do seu clube. Tanto jovem que através dele se iniciou na prática do jogo. E, de forma admirável, quanta vontade de aprender e necessidade de aprofundar um saber cada vez maior acerca da modalidade e do que representava ser treinador.
 
Ficou-me no entanto a dolorosa sensação que o Zeca não recebeu de todos nós a atenção que justificava. Tal como na vida, quando se ama algo ou alguém de uma forma tão dedicada, nem sempre tal entrega é valorizada como justifica.

E é pena que tenha sido assim. O Zeca merecia que todos nós lhe tivéssemos dedicado tanto, quanto aquilo que ele a partir de um certo momento entregou ao basquetebol.

Espero por isso que esta homenagem possa agora, de alguma forma, pagar pelo menos uma parte da nossa dívida. Cumpre-nos fazer perdurar na nossa memória colectiva que existiu no basquetebol português um jogador chamado Zeca Macedo que, para além do que conseguiu enquanto atleta, soube fazer perdurar o seu nome ao longo dos tempos pela dedicação e amor que deu à modalidade e, principalmente, por todos aqueles jovens que ajudou a apaixonarem-se pelo basquetebol.
 
Pela parte que me toca, gostaria de deixar bem claras duas coisas. Foi a ver jogar há quarenta anos atrás os Zecas do nosso basquetebol, que me apaixonei pela modalidade e a ela me dediquei. Tal como, passado este tempo, olho para trás e sinto quanto o basquetebol português poderia ter trilhado caminhos bem mais positivos caso tivesse sabido dar oportunidade a esses mesmos Zecas de servirem mais o basquetebol do que aquilo que lhes foi permitido.
 
Um abraço para ti Zeca!

 

 


 
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