Repensar o basquetebol
 
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Repensar o basquetebol

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San Payo AraújoRepensar o basquetebol também passa por repensarmos na organização geográfica e administrativa do basquetebol.

Repensar o desenvolvimento do basquetebol em Portugal no seu todo, é um tema que tem ocupado grande parte das minhas reflexões, quando viajo de norte a sul e às ilhas. Nas minhas reflexões parto sempre de dois princípios que já referenciei em vários dos meus artigos, que são esforçar-me por pensar globalmente, sabendo que muitas das respostas terão de ser implementadas regionalmente e ter a preocupação de defender naquilo em que sinceramente acredito, que seja o melhor para o basquetebol, independentemente da região em que me encontro. Por outras palavras tento sempre ter a capacidade de ter um discurso coerente, que me permita defender os meus raciocínios, quer estivesse a desempenhar as funções de director técnico nas associações do litoral com maior número de praticantes, ou numa associação do interior com menor número de atletas. Vem esta introdução a propósito de um tema que já mencionei, que iria abordar, ao qual darei o nome de “Contributos para uma reflexão da divisão geográfica e administrativa do basquetebol em Portugal”. Este é um assunto sobre o qual tenho um conjunto de ideias, que tenho partilhado com alguns amigos, muito antes, da entrada da “Troika” em Portugal.

A Associação de Basquetebol de Castelo Branco faz esta semana 50 anos de existência, são 50 anos de luta por afirmar o basquetebol no distrito de Castelo Branco. Com é do conhecimento comum a organização das Associações faz-se em torno do conceito de distrito, mas nem sempre foi assim. Na origem do movimento associativo do basquetebol em Portugal os clubes organizavam-se por proximidade geográfica, como nos é relatado no livro Basquetebol, de Costa Pinheiro, de 1950 edição da FPB. No entanto, creio que, para melhor controlar os movimentos associativos, o Estado Novo, obrigou que estas fossem organizadas sob o controlo dos Governos Civis e como tal em função dos distritos. Por hoje fico-me por este apontamento histórico, apresentando dois casos de Associações que não se organizaram em torno do conceito distrito, uma associação do interior e outra do litoral. Como mera curiosidade transcrevemos parte do livro sobre dois exemplos de associações organizadas em torno da proximidade geográfica, uma na região de Lisboa e outra nas encostas do lado norte da serra da Estrela, ou seja no lado oposto à Covilhã onde fica a sede da Associação de Basquetebol de Castelo Branco.

Associação de Basquetebol da Serra da Estrela
O basquetebol nesta região teve grande actividade mercê da acção desenvolvida pelo Sporting Clube de Gouveia, que organizando ali vários jogos, conseguiu através deles fazer larga propaganda da modalidade em toda a região, no que foi secundado pelos Sporting Clube Estrela de Manteigas, Clube Desportivo os Serranos de Sampaio e Clube de Futebol os Gouveenses. Foram estes clubes que em 19 de Abril de 1934 fundaram a associação regional a que deram o nome de Associação de Basquetebol da Serra da Estrela, designação que mais tarde, por sugestão da Federação, foi alterada para Associação de Basquetebol de Gouveia. Para a oficialização da prática do jogo na região muito concorreu o trabalho levado a cabo pelo distinto desportista João Homem de Figueiredo, o qual veio a ser o primeiro presidente da direcção.

Associação de Basquetebol da Costa do Sol
Em reunião levada a efeito em 22 de Outubro de 1940, formaram a associação a que deram o nome de Associação da Costa do Sol. (…) Foram fundadores da respectiva Associação: Clube Naval de Cascais, Grupo Desportivo Sociedade Estoril, Paço de Arcos Sport Clube, Desportivo Académico de Paço de Arcos, Grupo Desportivo Estoril-Plage. Ainda dentro do ano da sua fundação, a novel associação, faz disputar a sua primeira prova – Torneio de Propaganda, de que foi vencedor o Estoril-Plage. No ano seguinte, ou seja em 1941, já com maior número de filiados, a associação leva efeito o seu primeiro campeonato, prova que foi ganha pelo mesmo clube. E, quando tudo se coadunava para que o basquetebol tomasse posição de relevo em toda a linha de Cascais, a associação, por força de nova regulamentação dada à modalidade, é extinta. Tal facto foi o desabar do empreendimento levado a cabo por aquele punhado de boas vontades.

 

Comentários 

 
+2 #4 Ana Machado 13-11-2011 20:02
Bom inicio de reflexão!
No que respeita á Associação de Basquetebol da Serra da Estrela conhecer um pouco da sua origem é mais um elemento importante e que nos leva a reflectir sobre a situação atual... Vivemos um período diferente mas algumas das dificuldades de implementação da modalidade nessa região já existiam. Será necessário olharmos para esse passado para facilmente entendermos que há uma necessidade urgente de mudar, e acima de tudo dar condições aos clubes que ainda trabalham nesta região. E dar condições passa por reorganizar geograficamente a competição no sentido de permitir a estas equipas um maior número de jogos para que se torne mais real a tão falada "igualdade de oportunidades" entre um atleta que do interior e do litoral.
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+4 #3 João Ribeiro 08-11-2011 22:23
Desde sempre tive fascínio pela nossa história. Quer a de Portugal, quer a do Basquetebol em particular, quer até a do Desporto em geral. O relato do San Payo, prova a minha convicção de que, para podermos tomar decisões, temos de tentar recuar ao passado da nossa modalidade, conhecer as razões e os aspectos contextuais que conduziram aos episódios que foram relatados pelo San Payo.
Nestas coisas podemos mesmo afirmar, em linguagem técnica, que o Basquetebol é um jogo de decisões, para isso temos de "ler" o que o jogo está a pedir que façamos. A modalidade está a pedir reflexão. Como alguém diria: está a pedir que ouçamos o seu pulsar. Mas o pulsar deverá ser colectivo e não apenas numa só vertente. Temos todas as condições para novamente liderarmos opinião e exercermos influência positiva e construtiva. Não podemos é agir sozinhos pois estaremos apenas a servir-nos e não a servir a modalidade. Vou encomendar o livro supracitado no artigo
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+4 #2 Nuno Tavares 08-11-2011 15:57
Sem duvida que a divisão geográfica nos moldes que temos hoje em dia não faz sentido para o basquetebol de hoje. Sem duvida que deveria-se repensar a modalidade mas repensa-la debaixo para cima e não continuar a olhar só para um top de uma pirâmide que cada vez está mais fragilizada.
Existem Associações que não fazem sentido existir nos moldes que existem, e tal como San Payo diz e muito bem, deveríamos reflectir se não seria mais útil juntar algumas de modo a que tornassem mais eficazes. Tal como referi num artigo passado, temos mais associações que Espanha numa área geografica bem mais pequena, especialmente na zona continental do pais...não se percebe...existem medidas simples que se podiam aplicar e que teriam um impacto enorme na nossa modalidade...porque não se faz nada? O que se lucra em estarmos na mesma à tantos e tantos anos?
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+7 #1 António Barbosa 08-11-2011 11:50
Não tenho conhecimento do que se passa no resto do País, mas venho contar uma experiência pessoal.
No ano passado fui disputar um Torneio a Mirandela com os Mini 12,e pude conversar com várias pessoas, e o basket naquela região apesar do grande esforço de algumas pessoas não se consegue implementar.
Eu penso por exemplo neste caso a Associação tinha muito a ganhar se junta-se a uma outra mais forte que ajudasse o seu desenvolvimento através do aumento competitivo entre equipas e do nº de jogos, que permita divulgar o basket nesta região.
Penso que nos dias de hoje com as infraestruturas que existem as distâncias são mais curtas e por isso mais acessiveis.
Penso é que é hora de agir de tomar as decisões rápidas, senão corremos o risco de sermos ultrupassados por outras modalidades e o excelente trabalho de divulgação que por exemplo a SPORTTV tem feito do basket era de aproveitar e relançar o basket para o nível que merece.
Acordar o GIGANTE ADORMECIDO.
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