Foi com o saudoso Prof. Hermínio Barreto que eu aprendi, as três ações motoras essenciais, para que uma criança possa aprender a jogar minibásquete.
1. O drible: enquanto uma criança não conseguir driblar e nem que seja momentaneamente consiga levantar a cabeça deixando de olhar para a bola;
2. O lançamento: enquanto uma criança não consiga atirar a bola ao cesto, de forma a que esta descreva um arco semelhante a um lançamento;
3. O passe: enquanto uma criança não souber dirigir as duas mãos para a bola para a receber um passe e tem medo da bola.
Não vale a pena ensinar o jogo.
No caso do drible, se não conseguir desviar o olhar da bola, nem que seja momentaneamente, dificilmente se situará no campo. No caso do lançamento ela tem noção que não tem força para chegar ao cesto e por isso normalmente nem tentará lançar. No caso do passe os companheiros de equipa não lhe passam a bola, pois sabem perfeitamente que ele não vai conseguir apanhar a bola.
Contudo já coloquei crianças que tinham estas dificuldades todas em campo. Faz algum sentido? Faz se a criança não se importar que ninguém lhe passe a bola, nunca chega a tocar na bola, mas só pelo facto de estar dentro de campo com os outros está extremamente feliz. A felicidade da criança é importante, e com o tempo estas dificuldades vão se diluindo. Já problemático é quando vemos uma criança com estas dificuldades e ela se volta para o treinador e lhe pergunta, como já me aconteceu numa ação de formação: - Oh senhor, oh senhor este jogo é para todos ou é só para alguns? À minha resposta de que é para todos lá veio a pergunta evidente: - Então porque é que ninguém me passa a bola? Esta criança a quem ninguém passa a bola, (porque os outros sabem que ele não a vai conseguir apanhar), ao contrário do outro caso relatado, está infeliz e há que encontrar estratégias, se não queremos que ela desista.
Vem esta estória a propósito de uma ação de formação que há muitos anos o companheiro Rui Dinis, então diretor técnico da AB Aveiro organizou em Estarreja. Foi uma das muitas ações em que participei, que mais na memória me ficou, nomeadamente porque o Rui também convidou um médico para falar sobre as novas famílias e sobre o genoma familiar.
Mas voltemos ao ensino do jogo, um dos intervenientes dessa ação de formação foi o Prof. Hermínio Barreto. Contudo pelo facto dos participantes serem muito novos e realizada num dos poucos concelhos do distrito de Aveiro em que o basquetebol tem muito pouca expressão o Prof. Hermínio teve algumas dificuldades em pôr os seus conceitos da aprendizagem do jogo em prática. Nunca me hei-de esquecer, que no final da sua intervenção o Prof mencionou, que estes jovens ainda necessitavam muito das propostas de exercícios do San Payo, pois praticamente nenhum dominava as condições para aprender a jogar.
PS: O mês de Agosto é o mês em que eu suspendo a minha colaboração no Planeta Basket. Desejo a todos boas férias e em setembro retomo com mais um artigo com o meu contributo para a história do minibásquete.






