Aprender na ACB
 
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Aprender na ACB

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altO que designo por “Aprender na ACB” resulta de duas ideias fortes que caracterizaram uma experiência passada com os Estudiantes Club de Baloncesto durante 15 dias.

A primeira, a ideia de Aprender. Observar uma realidade que não conhecemos tão bem, é sempre um contexto de aprendizagem para um treinador que a isso se disponha. Não só encontra motivos para questionar muitas das suas práticas, o que é sempre positivo. Mas percebe muitas outras razões para reforçar as suas convicções, algo ainda mais gratificante. Apesar de passar o tempo com os treinadores do Estudiantes, particularmente com Alberto Lorenzo (treinador adjunto da equipa ACB), a minha reflexão ultrapassava frequentemente o clube e as pessoas. Resultou daqui a segunda ideia forte que o título expressa. Uma inevitável reflexão sobre o que ia vendo no enquadramento de um clube ACB, e de um modo geral, sobre a realidade do basquetebol espanhol. No fundo, tratava-se de fazer um exercício de comparação sobre as razões pelas quais “mesmo ao nosso lado” temos um basquetebol tão distinto em dimensão e qualidade, daquele a que assistimos na nossa realidade. Ao pensar nas diferenças, estarei longe de as elencar de forma completa. Nem me arrojo a tanto despropósito. Serei capaz apenas de descrever algumas impressões sobre o que tive oportunidade de ver, contaminadas pelo meu próprio modo de pensar o jogo. Fá-lo-ei centrado em cinco grandes temas – 5 crónicas –, que aparentemente distintos, me parecem complementar-se entre si. Tenho a ideia de que o papel dos treinadores é de vital importância para o desenvolvimento continuado do nosso jogo. Por isso o objectivo destas linhas é tão somente lançar debate, deixar opinião em torno de questões, que actualmente me parecem pertinentes no domínio do basquetebol de rendimento.

Não me parece desajustado dizer que na realidade da ACB os jogadores JOGAM QUE SE FARTAM! Isto é, há muitos jogos. Para aludir a muitos aspectos do treino e da condução do jogo, Jorge Araújo dizia frequentemente (tem-no escrito em diversos livros) que quem joga são os jogadores. Mas para eles jogarem é preciso que tenham jogos. A ACB tem 18 equipas, o que perfaz uma fase regular com 34 jogos. Começando a jogar em Outubro e terminando em meados de Maio (início do playoff), muitas semanas são necessariamente de jornada dupla. Cerca de 45% das equipas (5 na Euroliga e 3 na Eurocup) estão (ou estiveram) envolvidas nas competições ULEB, e tendo em conta a Copa do Rey – competição de grande carisma na vida do basquetebol espanhol –, para estas equipas jogar o seu “joguinho” semanal é uma raridade ao longo da época. As equipas de top terminam a época com cerca de 60 jogos oficiais, número significativo se considerarmos os 8/9 meses de época normal.

Quando afirmo que os jogadores jogam, quero ressaltar a importância do jogo na formação da qualidade dos jogadores, e consequentemente no contributo que isso pode dar à exposição pública de uma competição. Ao nível do basquetebol de rendimento, os jogadores fazem-se jogando, porque é para os jogos que se preparam e treinam, e nele são obrigados a demonstrar competências. Uma competição com poucos jogos é uma competição que limita a necessidade de superação permanente a que jogadores e treinadores devem estar sempre sujeitos, para além de ter uma visibilidade reduzida aos poucos jogos que tem. Ao contrário, uma competição em que se jogue mais vezes, é uma competição que por si só gera motivos de interesse vários para todos os que participam, força a necessidade de desempenhos mais sólidos e consistentes ao longo do tempo, e que não se duvide, jogar mais vezes nestas condições é factor de promoção da qualidade. Olhando para a nossa LPB, há equipas que chegam ao final da época com menos de 30 jogos oficiais. Pode-se pensar que não sendo uma competição profissional estará muito bem assim. Este não é o meu argumento. Não sendo uma competição profissional, sabemos há equipas profissionais, e as que não o são, não creio que não o gostassem de ser. Trinta jogos/época parece-me pouco. As equipas de rendimento constroem-se para competir. Jogos sistematicamente espaçados de semana em semana, dilatam o compromisso preparação/competição por que as equipas de rendimento tanto anseiam. Por estranho que pareça até pode convidar a regimes de treino menos compatíveis com aquilo que se pretende ao alto nível. Pela minha parte gostaria que se jogasse mais. Parece-me que se podem encontrar outras formas de disputa da competição mais representativa do basquetebol português que assegurem um bom compromisso entre mais jogos e mais competição em cada jogo, sem esquecer os dias de crise difíceis em que vivemos, aos quais o basquetebol não está obviamente imune. Não querendo fazer comparações desajustadas, na ACB os jogadores e as equipas fartam-se de jogar, por cá, parece-me que se podia jogar bastante mais.

 

Comentários 

 
-2 #1 Miguel Sousa 22-03-2011 11:50
Totalmente de acordo.
Acrescentaria apenas a maior possibilidade que traria esse aumento do numero de jogos e consequente aumento da exigência fisica sobre os planteis, a finalmente existirem oportunidades para os (já de si poucos) jovens que completam os bancos de suplentes actualmente das equipas da Liga. Sim, porque não duvidemos que muita da responsabilidad e do actual vazio de qualidade jovem na selecção nacional, se deve á falta de aposta consistente nas equipas de topo do nosso basket.
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