Que o diga Galileu!
 
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Que o diga Galileu!

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San Payo AraújoA recente entrevista do Prof. Jorge Araújo ao Jornal a Bola merece a nossa reflexão, pois é importante estar atento, às palavras de quem, em tempos, tantos conhecimentos transmitiu ao basquetebol nacional.

Como, o que me interessa são as ideias, não vou entrar na discussão dos objectivos, oportunidade, adequação, local e forma da referida entrevista, pois quero-me centrar em algumas questões, que o actual Presidente da AG da FPB, considerou importante levantar.

Resistir à mudança

Há uma coisa que lhe dou inteira razão que é o facto de as pessoas serem resistentes à mudança, mas esse infelizmente, é um mal que não é exclusivo do basquetebol. Não vou aqui abordar a questão dos “rankings”, pois pode ser ignorância, minha da qual desde já me penitencio, mas desconheço a existência de um ranking da FIBA-Europa, para, (ou que envolva), o escalão de seniores e também não me vou alongar na questão da escolha do seleccionador nacional, pois já o afirmei que foi com muito orgulho que vi pela televisão as prestações da selecção nacional, no maior palco do basquetebol europeu, liderada por um treinador português de grande prestígio internacional. Estas e outras questões abordadas não são decididamente do meu âmbito.

Propostas que envolvem o minibásquete

Há, no entanto, assuntos que passam pelo âmbito da minha intervenção, um parcialmente, e outros mais directamente, que são:

  • A reformulação geral dos quadros competitivos mais jovens
  • A consolidação duma detecção de talentos consistente e bem fundamentada logo a partir dos escalões etários de 11/ 12 anos.
  • A Integração deste projecto de detecção de talentos, num Torneio Nacional de selecções Sub 12.
  • A promoção, anualmente, duma concentração nacional de talentos Sub 12, selecção que deve trabalhar, periodicamente, em regime de concentração.

Reformulação dos quadros competitivos

Quanto à reformulação geral dos quadros competitivos dos mais jovens estou plenamente de acordo, e ainda este ano em vários artigos publicados aqui no Planeta Basket, propus o desfasamento das competições nacionais mais importantes, alcançada, sem custos financeiros adicionais, através da alteração das idades dos escalões. Curiosamente ou não, na minha recente estadia em Collell fiquei a saber, que por razões semelhantes, o desfasamento das competições, também é uma discussão que está na ordem do dia em Espanha. Para além deste passo, quem comigo de perto lida, sabe que penso, que muito mais não se poderá fazer, sem alterar a organização administrativa e geográfica do basquetebol no país. Este é aliás um tema, que em breve terei todo o gosto em transmitir, o que me vai na cabeça, fruto dos mais de dez anos da minha experiência e dos muitos milhares de quilómetros já percorridos em acções e contactos no terreno, feitos em quase 200 concelhos deste país.

Detecção de talentos

Já quanto à consolidação duma detecção de talentos consistente e bem fundamentada, logo a partir dos escalões etários de 11/12 anos, gostava de perceber melhor como seriam operacionalizadas e financiadas todas estas ideias e a sua oportunidade e expressão, no actual contexto do basquetebol nacional. Olhemos para os números, para percebermos do que se está a falar e tentar perceber se é tão pertinente este investimento no imediato ou se devemos canalizar esforços para aumentarmos claramente o número de praticantes. Se este ano quiséssemos fazer duas selecções de Sub-12, uma masculina e uma feminina, já para esta época, e trabalhar periodicamente em regime de concentração, como é sugerido, teríamos de os seleccionar no reduzido universo de 1755 rapazes e raparigas inscritos na FPB e nascidos em 2000. Como e quem escolheríamos? Os melhores de momento ou aqueles que projectaríamos que dentro de 5 anos seriam os mais aptos para representarem Portugal no Campeonato da Europa de Sub-16? Eu fiquei a conhecer, em Collell, a fundo a forma e a filosofia como os espanhóis operacionalizam e projectam a sua selecção de Sub-13, pois não tem selecções de Sub-12. Todo o processo em Espanha, assenta no facto de eles terem um universo incomensuravelmente maior que o nosso para seleccionarem. Qualquer federação regional, das mais fortes, como Madrid, Catalunha ou Andaluzia e outras, tem muito mais minis nascidos em 2000 inscritos, que toda a nossa Federação. Com os jovens nascidos em 1999 fizeram em Collell, uma concentração no final da época passada, para seleccionarem os jovens que vão formar a selecção de Sub-13, e que na sua perspectiva tem mais potencial para estarem presentes, 4 anos mais tarde, nos campeonatos europeus de Sub-16.

Torneio Nacional de selecções regionais de sub-12

Finalmente quanto à integração da detecção de talentos, num torneio nacional de selecções de Sub-12, cabe-me dizer o seguinte: Fruto da reflexão entre treinadores realizada no âmbito do Fórum de Minibásquete promovido pela FPB/CNMB em 2009, já existe um torneio para selecções de Sub-12. No entanto, como também tenho o hábito de ouvir de forma continuada a opinião de vários agentes muito ligados ao pulsar da modalidade, no final desse evento, fiz um inquérito sobre as alterações às regras que houve no torneio, às quais acrescentei as seguintes perguntas mais dirigidas à parte conceptual do evento:

Questionário

O que determinou as equipas serem mistas foram razões económicas e logísticas, custos e incapacidade de acolher o dobro dos praticantes  (12 rapazes, 12 raparigas e 4 adultos).

1. Se existirem outras condições consideras, que devemos manter o modelo, ou se devemos separar masculinos e femininos?

2. Caso não existiam condições de separação da competição masculina e feminina devemos continuar com este evento nos mesmos moldes ou tens alguma sugestão diferente?

3. O que determinou o jogo serem 6 períodos de 6 ou 8 minutos e não haver substituições foi o princípio de nestas idades todos os jogadores deverem ter a oportunidade de jogar rigorosamente o mesmo tempo. Concorda com esse princípio?

4. Depois de sabermos que mais de 90% dos praticantes presentes no evento já tinham jogado ou jogam em cestos altos e depois do que assististe em Paços de Ferreira,  qual é a tua opinião, o evento deve ser jogado em cestos a 2,60 ou a 3,05? Agradeço que justifiques a tua opção?

Em breve publicarei artigos com um resumo da opinião de 25 treinadores que estiveram em Paços de Ferreira e tiveram o interesse e a amabilidade de responderem a este inquérito.

Embora nas perguntas, que fiz não estivesse a pergunta sobre a finalidade principal deste evento, das diversas respostas e pelas sugestões que fizeram, compreendi que havia duas perspectivas pelas quais este evento deveria continuar. Alguns treinadores, não a maioria, e mesmo de equipas mais competitivas, como por exemplo Aveiro, consideram, que no estado actual de desenvolvimento do nosso basquetebol, este evento devia ter como objectivo nº 1 a divulgação da prática e expansão do minibásquete, e não o juntarmos num torneio os melhores praticantes de Sub-12 do país. Nesta perspectiva de expansão e envolvimento do universo dos clubes do mini é opinião do Rui Pedro Nazário, responsável pela selecção de Aveiro, que as selecções de sub-12 deveriam por exemplo envolver o maior número de clubes com minibásquete por Associação. Uma Associação que tivesse 12 clubes, deveriam estar lá os 12 clubes representados na selecção regional.

Paços de Ferreira que finalidade?

Fizemos o torneio de Paços de Ferreira, fruto do desenvolvimento que o minibásquete tem tido no país e para dar resposta aos anseios de algumas Associações. Mas logo na primeira edição, verificámos que o objectivo pelo qual se faz Paços de Ferreira não é consensual entre os treinadores que andam no terreno, e estiveram no evento. Não sou, nem nunca fui dono da verdade, o evento de Paços de Ferreira, pelo agrado geral que provocou em todos os presentes veio para continuar. Isso não me impede de dizer que continuo a pensar que no estado actual de desenvolvimento do nosso basquetebol o principal investimento tem que ser feito na sua expansão. Não é uma questão de descurar outros objectivos, é uma questão de perceber o que é que é decisivo no desenvolvimento da modalidade. Repito nunca me considerei dono da verdade, sei que se calhar a maioria das Associações presentes, não aceitariam a proposta do Rui Pedro Nazário, mas parafraseando Bertrand Russell, não é por 50.000 pessoas dizerem uma coisa incorrecta, que esta passa a estar certa, que o diga Galileu.

 

Comentários 

 
-6 #1 António Silva 20-09-2011 11:47
De momento apenas podemos trabalhar com aquilo que temos e lamentar constantemente o que ambicionamos, apenas desculpa aquilo que nunca conseguimos.
Sejamos ambiciosos e deixemos de lamúrias, alcançar êxito e cimentar conjuntamente com aqueles que pretendem dar passos significativos.
Continuamente esperar por aqueles que não pretendem assumir passos significativos na melhoria na minha opinião têm sido o erro crasso da nossa modalidade.
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