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Nuno TavaresComo treinador, não consigo imaginar uma aproximação ao jogo que não contemple a constante troca de experiências que irão tornar os outros melhores e por consequência, a mim também.

Sentado no aeroporto de Heathrow, em Londres, esperando o meu voo de ligação para Lisboa, dou por mim a escrever um meu último artigo para o Planeta Basket. Depois de mais de 5 meses de intenso trabalho nos Estados Unidos, decidi que este artigo seria um resumo da minha estadia por Dallas.

Por hábito, gosto de guardar todos os registos relacionados com a minha atividade como treinador e começo por deixar os números para os meses que cá permaneci:

  • Treinos (Liceu de Trinity + Universidade de Northwood) – 158
  • Jogos do Liceu de Trinity - 34
  • Jogos da Universidade de Northwood – 36
  • Quilómetros percorridos em viagens (Liceu de Trinity + Universidade de Northwood) – 13630,4 km

Em 158 dias que estive em Dallas, as contas, no final, acabam por ser “assustadoras”, por média 1 treino por dia e 1 jogo de 2 em 2 dias, números que refletem bem o modo como o basquetebol é encarado por terras norte-americanas e que dão os resultados conhecidos por todos.

Como treinador renovo a minha alma ao cada vez mais acreditar que o processo de treino é algo complexo e que tem que ser bem definido desde o início, tem que ser exigente todos os dias, meticuloso e pormenorizado em cada exercício. Mas também temos que estabelecer regras de grupo, o que não quer dizer que estas regras, em termos individuais, sejam iguais para todos os jogadores, desenvolvi muito a minha capacidade de avaliar as diferentes personalidades de cada atleta e conjugar com o interesse do grupo. Dou o exemplo do base do Liceu de Trinity, Charles Williams, um jovem que vai ter uma boa carreira universitária mas que deu “alguns problemas” no início da época. Fazia tudo ao contrário da equipa, alongava um pouco distante, usava a camisa de treino com as costas para a frente, usava meias de outras cores, sentava-se sozinho quando íamos comer antes dos jogos. A primeira reação do staff de treinadores foi impor que este atleta deveria fazer tudo como os outros, o que acabou por ser um erro, pois ainda o distanciou mais do grupo, então tentamos ao contrário, deixamos ele fazer algumas coisas como desejava (nunca o atleta se atrasou para treinos, jogos ou quebrou regras fundamentais de grupo) e a sua produtividade aumentou enormemente. Nos treinos e jogos deu sempre o máximo e acabou por me fazer ver que por vezes as regras podem ser interpretadas de maneiras diferentes desde que não vão contra as metas definidas pela equipa.

Em termos de conteúdos técnicos e táticos sinto que evoluí muito, contribuindo a presença em muitos clinics, com formação constante, marcando presença em muitas “mesas redondas” com treinadores, diretores atléticos e fisioterapeutas. Esta constante troca de informação fez-me perceber que o caminho é de todos os intervenientes juntos, mesmo que para isso todos tenhamos que ganhar um pouco menos. Este caminho permite que a médio/longo prazo o bem mais essencial que temos, os jogadores, sejam mais e melhores, logo, se temos mais e melhores jogadores, temos mais e melhores treinadores, árbitros, etc.

Os modelos de competição também foram um tema que me dediquei a fundo pois penso que é algo que realmente deveria ser repensado em Portugal, pois considero que os atuais, não só, não estão adequados à nossa realidade, tal como não servem os interesses, em muitas situações, de todos os clubes e jogadores (e não de só alguns...).

Regresso com muita vontade de partilhar tanta experiência e aprendizagem que trago dentro de mim, completamente disponível para falar sempre que acharem que sou útil, começando já pelo Clinic do Porto nos dias 16 e 17 de Março.

O futuro? O futuro imediato passa pelos clinics e pelo Campos MVP, mas estando completamente disponível a integrar um projeto de uma equipa, de preferência sénior (mas disponível para ouvir tudo).

Por fim quero agradecer a todos os que me acompanharam nesta fase da minha carreira, todos os que leram os meus artigos e comentaram, escrevi-os sempre com a convicção de partilhar o que vi e o que trabalhei como treinador, nunca apontando o dedo, mas sim, dando a minha opinião em relação a vários temas que penso que precisam de ser repensados na nossa modalidade.

No fundo sou apenas um miúdo de uma cidade algarvia que começou, por acidente, a jogar basquetebol aos 15 anos e que nunca pensou que aquela bola pudesse ter tido o impacto na minha vida como tem.

O meu muito obrigado a todos e até já...

Eu Vejo-te...
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