Ajudar a criança a aprender
 
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Ajudar a criança a aprender

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Pablo Esper di CesareFoi através dum convite do companheiro Nuno Leite, que há mais de quinze anos entrei em contacto com o universo do “Baloncesto Formativo” e que passei a conhecer e admirar o Pablo Esper di Cesare. Para quem está por dentro do universo do ensino do minibásquete

o Pablo não necessita de apresentações o seu prestígio é mundial. Sempre atento às suas propostas, com as quais muito aprendi, divulguei no Planeta Basket muito da sua filosofia do que é ensinar minibásquete, nomeadamente nos artigos: “Pedagogia do afecto (1) e (2)”, “O direito das crianças”, “O processo de formação” e “Prof. Quando jogo”. Bem mais recentemente e em tempos de pandemia e webminar sugiro aos leitores desta entrevista a visualização da “Charla sobre aprender y como competir en minibasket” e Aprendizage, formacion o desarollo motor en formativas.

Divulgar a obra do Pablo Esper é obrigatório para quem se preocupa com o ensino do minibásquete, motivo mais do que suficiente para ler esta entrevista. Venha conhecer, ou conhecer ainda melhor, quem há vários anos anda a propor uma forma diferente de ensinar o minibásquete.


1. Comecemos por uma pergunta difícil, que impacto está a pandemia a ter no basquetebol argentino?
Penso que a resposta deve ser no desporto de uma foram geral. Já estamos há 93 dias sem actividades desportivas federativas, mesmo nas cidades que não tiveram um único caso de COVID 19. Contudo o nosso vizinho Uruguai já abriu todas as actividades desportivas. Esta paragem tem produzido um êxodo de jogadores da liga argentina. A Liga Nacional Argentina decretou o seu final, sem o apuramento dos campeões. No entanto, nalgumas cidades já se deu início à prática desportiva em ginásios e pavilhões, mas apenas para treino da técnica individual e preparação física. Penso que, sem razão de ser, pelo menos durante mais três meses vai continuar assim.

2. Que recordação tens da tua passagem por Portugal e que conhecimento tens do basquetebol português?
Em primeiro lugar foi uma grande honra ser convidado pela Escola Nacional de Basquetebol para participar nos clinics de Cantanhede e do  Funchal na Madeira e poder partilhar experiencias com um basquetebol,  que ao nível competitivo não tem grande expressão internacional, mas que tem expressão no âmbito pedagógico e da investigação universitária.  Também me chamou à atenção a ordem, a organização e a simpatia das pessoas e a beleza das hortênsias da ilha da Madeira.

3. Agora entremos no foco principal desta entrevista, para ti qual é a importância do minibásquete? Ou dito de outra maneira o que é que é mais importante no minibásquete?

Em primeiro lugar quero deixar claro que para mim o minibásquete não é um escalão do basquetebol, mas uma primeira etapa de formação que abarca desde os 5/6 anos em que a criança chega ao clube para jogar a algo parecido com o basquetebol, até à fase em que passa ao cesto com a altura regulamentar o que corresponde a um período dos 5 aos 12 anos, divididos em pelo menos quatro fases bem definidas: 5/6, 7/8, 9/10 e 11/12, cada uma com as suas características próprias.

Em cada uma das etapas considero que há algo mais importante. Na primeira o desenvolver as suas habilidades motoras básicas. A seguir na segunda o desenvolvimento das habilidades motoras do basquetebol começando pelas habilidades motoras básicas em combinação com habilidades específicas, ou seja a aprendizagem das primeiras técnicas específicas, como são o drible e o lançamento. Na terceira continuar com o desenvolvimento das habilidades motoras do basquete com técnicas como o passe e a defesa, que surgem decorrentes das situações de jogo de 3 x 3. Finalmente na quarta a noção de jogar com o companheiro, a noção de conjunto, a noção de equipa.

Em todas as etapas, o mais importante é que aprenda a jogar, jogando e que sinta prazer no que faz, o que assegura a sua fidelização e que, o que lhes propomos lhes permita ter êxito, o que quer dizer alcançar satisfação.

4. Como está organizado o minibásquete Argentina, quer em termos de formação para treinadores, quer na organização de actividades para os minis?
O minibasquete, em muitas províncias não é competitivo, no sentido de que não tem competições formais, motivo pelo qual não existem nem campeonatos provinciais, nem um campeonato argentino de minibasquete. Nalgumas cidades existem competições mais formais, contudo na maioria dos casos o minibásquete é jogado duma forma mais recreativa.

A formação de treinadores, creio que atravessa um período de crise, a partir do momento em que existem diferentes âmbitos de formação e acreditação dos treinadores, mas que não tem uma carga horária idêntica. Por exemplo, o curso de treinador do Instituto Superior do Desporto (no qual sou formado), por ser professor de educação física, é-me exigido um ano para ser instrutor nacional, a 12 horas semanais de ensino, mais um ano para ser treinador nacional a 12 horas semanais de ensino. No entanto, em muitas sedes (escolas aprovadas) da ENEBA, (Escuela Nacional de Entrenadores del  Basket  Argentino) os cursos são  de 4 a 6 horas e realizadas de 15 em 15 dias, pelo que o resultado final nunca será o mesmo. Eu considero que na etapa do minibásquete o importante é que este seja dado por professores de educação física.

5. O que é para ti um bom treinador de minibásquete?
Em primeiro lugar alguém que escolheu ser treinador de minibásquete porque tem gosto em trabalhar com crianças e não como uma etapa uma transição para chegar aos escalões maiores. Em segundo lugar, um bom treinador de mini é aquele que consegue com a sua prática, que todos participem activamente, quer do ponto de vista motor, quer do ponto de vista intelectual, o que permite o desenvolvimento da criança. Mais do que ensinar, o treinador deve ajudar a criança a aprender, o que é definitivamente a sua função.

6. Quais são as diferenças entre um treinador de basquetebol de seniores e um treinador de minibásquete?
Em primeiro lugar um treinador de seniores não tem de ser necessariamente um professor de educação física, enquanto um treinador de minibásquete deve ser um professor de educação física. Esta é a grande diferencia, que se deve observar na forma pedagógica de dar os treinos. Mais técnica para uns, mais para ajudá-los a aprender nos outros. Os objectivos são diferentes, num a sua missão é o triunfo desportivo, no outro a sua missão é conseguir alcançar, que o maior caudal de crianças se divirtam aprendendo, assegurando A TODOS, tempos de jogo para o seu desenvolvimento.

7. No minibasquete qual é a tua filosofia de ensino?
Penso que ao longo das perguntas fui dando pistas do que considero a minha ideia pedagógica do minibásquete. Em primeiro lugar tenho uma ideia filosófica da educação que se baseia, na premissa que a educação é uma construção social, e isto materializa-se na abordagem das diferentes correntes didácticas construtivistas. A sua implementação depende da pedagogia e como esta se implementa e esta não é necessariamente puramente construtivista.

Dito isto é com base neste pensamento educativo, que a minha maneira de entender o ensino do minibásquete tem a ver com diferentes formas pedagógicas, que garantam nos treinos o TEMPO DE COMPROMISSO MOTOR, no qual 90% de tempo as crianças devem estar em movimento e que leve a uma ADAPTAÇÃO à estrutura do jogo,  que depende (do tamanho da bola, do tamanho do campo, da altura do cesto e do número de jogadores), em cada uma das 4 etapas do processo de formação do minibásquete, concedendo-lhes sempre TEMPO DE JOGO EFECTIVO, ou seja, que todas as crianças tenham acesso ao mesmo tempo de jogo para garantir seu desenvolvimento.

8. Em que momento, ou com que idade é mais adequado começar a pratica do minibásquete?
Entendo o mini, como um processo de aulas de educação física com bola a partir dos 5/6 anos e entendo o minibásquete como um jogo com regras com as adaptações já mencionadas na pergunta anterior, a partir dos 9/10 anos.

9. Consideras ser importante haver uniformização das regras do minibásquete?
Considero que em cada país se devem unificar orientações regulamentares para cada uma das 4 etapas (escalões) que propus, mas ao mesmo tempo, cada associação deve ter liberdade para incorporar aspectos regulamentares que considerem, que na sua região melhorem o jogo, como por exemplo a introdução do lançamento dos três pontos.

10. Termino a entrevista com a uma pergunta que gosto de fazer. Qual é a pergunta que gostarias que te fizessem e que resposta darias?
A pergunta que gostava que me fizessem é porque nunca pude trabalhar nos escalões de formação na Europa, num clube ou no desenvolvimento numa Federação? A resposta: continuo a perguntar-me.

 

Comentários 

 
+2 #1 Pablo Alberto Esper 08-07-2020 10:51
Muchas gracias amigo San Payo y a Planeta Basket por la oportunidad de contactarnos con el baloncesto de Portugal, un abrazo a la distancia
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