Ana Maria Freire
 
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FracoBom 

Ana Maria FreireNão quero acreditar... As minhas palavras ficarão para terça-feira no Planeta Basket! Até lá terei mais tempo para digerir e processar tão triste notícia. Este foi o comentário que, consternado, escrevi na quarta-feira passada na página do Facebook da Daniela Gomes.

A vida é e será sempre de uma enorme incerteza, como diria o meu pai, para morrer basta estar vivo.  No entanto, saber do falecimento de alguém que deu tanto de si, e recebeu tão pouco reconhecimento, ao universo do basquetebol em geral e do minibásquete em particular, através do Facebook é no mínimo estranho e extremamente doloroso.

A minha amizade com a Ana Maria Freire nasceu em 1999 durante o Mundial de Juniores, onde por detrás das luzes da ribalta foi incansável no apoio que me deu na retaguarda desse inolvidável evento. Fruto dessa amizade, foi com naturalidade que passado pouco tempo a Ana Maria me acompanhou na aventura, que foi a reativação do Comité Nacional de Minibásquete (CNMB) liderada por outro amigo que, infelizmente já falecido, o General Hugo Santos.

A Ana Maria era então oficial de mesa, funções que deixou de exercer e passou a acompanhar-me durante mais do que uma década, como Vice-presidente do CNMB. Não gosto que os meus artigos sejam muito longos, mas hoje é impossível e mesmo assim, tanto ficará por dizer.

A primeira sugestão que dou é lerem no Facebook da Daniela os comentários dos muitos treinadores que participaram nos jamborees em que a Ana Maria benevolamente e durante uma semana, com o sacrifício das suas férias participou. Para ilustrar uma das suas características mencionadas nesses comentários pelo Fernando Grilo: “Grande perda uma das pessoas mais altruístas que o basket me deu a conhecer”, não resisto transcrever uma parte do meu artigo de 17 de fevereiro de 2009, Jamborees de MB: As Mamãs de Serviço: "A principal riqueza do jamboree reside na qualidade e empenho da intervenção humana. “As “mamãs de serviço”, são as que, fora das atividades programadas cuidam das crianças, quando surge uma ponta de febre, uma dor de garganta ou a necessidade de um mimo. São as que telefonam aos pais a perguntar o que é que estes costumam fazer nestas situações e caso necessário acompanham as crianças aos Centros de Saúde. São o trabalho invisível, a verdadeira retaguarda do evento, pois permitem que os monitores possam enquadrar as suas equipas sem preocupações adicionais, nas atividades programadas. Para ilustrar o que acabamos de dizer é imperioso mencionar uma destas, felizmente poucas, situações em que a Ana Maria Freire, logo no 2º Jamboree, que decorreu na ilha Terceira nos Açores, ficou uma semana, praticamente a tempo inteiro dentro da Pousada de Juventude de São Mateus, onde estávamos instalados a cuidar da Cláudia Maurício, que adoeceu e só no final do mesmo é que estava recuperada e a febre tinha passado. Coitada da Cláudia, que regressou sem ter feito as atividades, mas felizmente de boa saúde. Isto só foi possível pelos cuidados e mimos da Ana Maria, que o permaneceu sempre na pousada a cuidar da Cláudia.”

Ao escrever este artigo um pensamento invadiu o meu pensamento. Será que nas lendas do basquetebol cabem só os que andam ou estiveram nas luzes da ribalta? Será que, quem atrás dos holofotes  tanta gente ajuda e marca, não cabe na história do basquetebol? Será que a história da modalidade é só feita de nomes sonantes?

Quantos pais puderam dormir descansados fruto da dedicação da Ana Maria? Quantos treinadores e monitores dos jamborees, e não só, escutaram um conselho amigo, uma palavra de incentivo da Ana Maria? Quantas crianças, muitas delas hoje já adultos e algumas com filhos com idade de participarem em jamborees receberam o carinho e o mimo da Ana Maria?

Parafraseando comentários dos amigos Nuno Rodrigues e Sérgio Rosmaninho. “Hoje o mundo do mini ficou mais pobre, mas tudo faremos para honrar o muito carinho que distribuíste por Portugal inteiro, e o que pediste em troca do tanto que nos deste foi tão pouco.

Querida amiga, tu foste para muitos tão especial, que a simplicidade do título deste texto diz muito do que representas para tantos. Querida amiga, se a vida é sempre uma incerteza, de uma coisa não tenho dúvidas, estarás sempre no coração da enorme família dos jamborees de minibásquete.

 

Comentários 

 
0 #3 Christine da Silva 30-11-2021 22:40
Minha Querida Tia Ana,

"Cada um que passa em nossa vida... leva um pouco de nós mesmos e deixa um pouco de si mesmo."... Obrigada Tia Ana pelo muito que deixaste connosco, pela doçura e bondade em cada ação, pelo sorriso constante e pelo exemplo de dedicação.


Contigo no coração minha Querida Tia Ana.
Muito Obrigada.
Chris
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0 #2 Venância 30-11-2021 11:11
Descansa em paz querida Ana.
Que triste noticia. Foi um prazer conhecê-la no Jamboree em 2009, na ilha de Santa Maria, onde a sua alegria era contagiante. RIP
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0 #1 Ana Pinto 30-11-2021 10:41
Tia Ana,
Foi tão bom conviver e partilhar bons momentos consigo (fora e dentro do minibasquete).
Até breve ❤❤
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