Há treinadores que logo no minibásquete dividem as crianças, entre aquelas que querem vir a ser jogadores de basquetebol e as que apenas, como eles afirmam, apenas querem “jogar à bola.”
A esta visão maniqueísta das crianças, que concebe a realidade de uma forma dualista, está subjacente a ideia de que há crianças em que vale a pena apostar para virem a tornar-se jogadores(as) de basquetebol e outras nem por isso.
Como não tenho nenhuma bola de cristal, houve situações na vida em que fiz previsões que deram certo e outras em que errei. Contudo houve exemplos que era tão fácil fazer previsões, que a probabilidade de falhar era muito reduzida, estou-me a lembrar de três meninas, que conheci muito jovens e que em circunstâncias normais só muito dificilmente não seriam jogadoras: a Beatriz Jordão, a Mariana Silva e a Clara Silva.
Já mais difícil é prever, na grande maioria dos casos, mesmo quem no minibásquete aparenta ter condições para ser jogador, e depois nem aos seniores chega. Aqui não basta vê-los jogar é necessário conhecer um pouco a sua cabeça. Não vou aqui mencionar nomes, mas houve minis, que passaram pelas selecções nacionais jovens, e que eu fruto da minha observação nos jamborees, pensei que dificilmente jogariam a níveis elevados, e também não me enganei.
Muitos anos de observação, principalmente nos jamborees permitem-me poder afirmar que é necessário dar tempo ao tempo.
A realidade e o mundo são um pouco bem mais complexos, do que visões maniqueístas.
Na minha vida já vi de tudo:
- Vi muitos jovens, que queriam ser jogadores(as) de basquetebol, e nunca chegaram aos seniores.
- Vi jovens que queriam ser jogadores(as) de basquetebol e alcançaram o seu sonho.
- Mas também vi crianças que apenas “queriam jogar à bola” e que despertaram mais tarde e vieram a ser jogadores(as) de basquetebol.
- E naturalmente também muitas crianças, que apenas “queriam jogar à bola” e naturalmente não se tornaram jogadores(as).
Então o que é que devemos dar a todas as crianças, resposta simples, uma vivência positiva e acima de tudo valores tão necessários nos tempos que correm.
Como digo frequentemente, ninguém passa pela vida de uma criança sem deixar uma marca, o mais importante dum treinador de crianças é que seja uma marca, uma experiência positiva.











