Foi no ano 2000, por ocasião da criação do CNMB, que tive uma troca de opiniões com o General Hugo dos Santos. Enquanto eu defendia que a extinção da Federação Portuguesa de Futebol de Salão e a integração da modalidade,
que se começou a apelidar desde então por futsal, representava uma ameaça para as modalidades de pavilhão. O General não via nisso um perigo. Segundo o General, a Federação de Futebol não iria querer um grande desenvolvimento do futsal porque isso retiraria praticantes ao futebol tradicional, o futebol de 11 jogado em campos ao ar livre.
Infelizmente para as modalidades de pavilhão, nomeadamente para o basquetebol, passado um quarto de século, eu tinha razão. O futsal não apenas cresceu, como cresceu exponencialmente no feminino, com excelentes resultados, como o brilhante 2º lugar no recente campeonato do mundo. Está de parabéns a Federação Portuguesa de Futebol e estão de parabéns as jogadoras da selecção nacional. O futebol que era até final do século passado um universo quase exclusivo dos homens foi aos poucos sendo conquistado pelo sector feminino, quer no futebol, quer no futsal.
Eu bem sei que o futebol é um pouco o eucalipto do desporto nacional e que tende a secar tudo à sua volta. Contudo este crescimento não foi apenas uma questão da força cultural e social do futebol. Esta força social e cultural facilita indubitavelmente o desenvolvimento do futsal, mas tanto quanto sei, este crescimento também foi assente num plano estratégico desenhado e posto em prática pela Federação com resultados evidentes.
Vêm estas considerações a propósito dum fenómeno que tem mais de cinquenta anos.
Em adolescente ouvi o treinador de jovens do Sacavenense, dos primeiros clubes de Lisboa a ter pavilhão para a prática do basquetebol em Lisboa, a queixar-se que os jovens mais aptos depois de começarem a jogar basquete eram atraídos para a prática do futebol e deixavam de jogar basquetebol.
Curiosamente, bem recentemente, quando fui dar mais um treino ao BSA, perguntei por dois jovens muito talentosos e ainda Mini-10, que já jogavam há três anos no clube, a resposta do André Cruz treinador do seniores e coordenador do clube, foi deixaram de jogar basquete e estão no futebol.
Foi há mais de cinquenta anos que eu contei a estória do Sacavenense ao meu pai e o que ele me disse foi o seguinte: “O problema está identificado e qual é a solução?” Passados mais de cinquenta anos, sei que o mais importante é a felicidade dos jovens e das crianças e que estas pratiquem uma modalidade, mas continuo sem saber o que responderia ao meu pai.
PS: Se o mais importante na vida é sermos felizes, votos de um Natal muito feliz para todos.












