Não sejas bota-de-elástico no novo ano atreve-te a arriscar. Estamos à porta do ano novo, para muitos momento de reflexão e momento de muitas vezes pensar em mudança. Contudo o medo, o receio da mudança é uma força muito poderosa.
O medo de arriscarmos, de não sermos compreendidos ou mesmo de sermos ridicularizados inibe-nos frequentemente de experimentar coisas que nos passam pela cabeça.
Vem estas reflexões a propósito de um pedido que o meu amigo Mário Batista me fez já lá vão talvez mais de 15 anos para fazer uma acção sobre a aprendizagem da defesa não específica para minibásquete, mas para escalões de sub-14 e sub-16. Embora, como diretor técnico do minibásquete, essa não fosse “a minha praia”, resolvi aceitar. Ao aceitar o desafio e ao preparar o que iria apresentar surgiu-me uma ideia, que eu próprio nunca tinha testado ou posto em prática. Não a li em nenhum livro, não a vi em lado nenhum, apenas me passou pela cabeça e resolvi arriscar.
Lembro-me muito bem de alguns conceitos e exercícios que pus em prática nessa ação. Uma das noções que transmiti era a ideia da coerência, ou seja se dizíamos aos nossos portadores da bola que preferencialmente deveriam driblar pelos corredores centrais, isto implicava que estávamos a dizer aos defensores “empurrem” o portador da bola para as linhas laterais. Também me lembro de falar do momento em que o portador da bola chegava a uma linha lateral, onde não devíamos passar a dar a possibilidade de voltar para o corredor central e que deveríamos procurar manter sempre uma postura defensiva que obrigasse o driblador a ficar no corredor lateral.
Um outro conceito que transmiti foi sobre a relação que existe entre o portador da bola, que devia ser pressionado, e os outros defensores. Informei que essa relação estava sempre intimamente ligada, não apenas ao posicionamento de quem estávamos a defender, mas à deslocação da bola fosse através de drible, fosse através de passe. O movimento da bola implicava sempre uma reação de todos os defensores. Para dar essa noção de correlação resolvi num dos exercícios ligar os defensores por um elástico.
Percebi que a receptividade desta proposta, talvez por ser uma novidade, não foi pela maioria dos presentes muito bem aceite. Contudo não estou nada arrependido de o ter feito. Agora passados muitos anos, não é que vi no facebook, que cada vez menos visito, alguém que teve a ideia igual à que eu tive já lá vão vários anos, conforme poderão ver num “reel” do Basket Legacy. O “famoso” algoritmo colocou no meu caminho o seguinte vídeo.
A ideia que a defesa deve funcionar como se existisse um elástico entre os defensores, já há muito tempo que pairava na minha cabeça, não é por acaso que eu dizia nas minhas equipas, que uma intercepção falhada era como que o elástico tivesse rompido e toda a equipa tinha de saber reagir a essa contrariedade. Ao contrário do tempo em que me iniciei como treinador, agora o que não falta é informação, mas esse facto não nos deve levar a limitarmo-nos a copiar e deixarmos de pensar pela nossa própria cabeça. Com tanta informação disponível, esse é talvez um dos maiores desafios dos tempos atuais. Para todos, votos de um bom 2026.
PS: Aproveito este espaço para agradecer a todos os que me felicitaram pelo meu recente aniversário e pedir desculpa a todos a quem não tive a amabilidade de os felicitar nos dias dos seus aniversários, mas como disse cada vez vou menos vezes ao Facebook.












