“My pay has not been in dollars, but in satisfaction at giving something to the world that is of benefit to masses of people.”
James Naismith
Com este primeiro apontamento iniciamos uma rubrica semanal que pretende trazer geralmente pequenos apontamentos com assuntos interessantes e/ou engraçados da história do basquetebol, mas ao mesmo tempo significativos. Por vezes apenas factuais, outras vezes pitorescos, os apontamentos relatam pormenores ou episódios, talvez não muito conhecidos, de uma história que vai a caminho dos 135 anos de existência.
Algumas das coisas que escrevemos podem ter um valor acrescido de exemplo ou lição a retirar nos tempos atuais.
Sob o título deste primeiro apontamento – “O homem que não quis ser rico” - referimo-nos, evidentemente, ao inventor do jogo de basquetebol, James Naismith nunca quis ganhar nada, materialmente, com a sua invenção. Ao contrário de muitos inventores que, de forma natural, registavam e registam as suas invenções com patentes, de modo que ao serem utilizadas possam ter alguma remuneração monetária e também controlo sobre a forma como ela é utilizada, Naismith não fez nada disso e fê-lo com toda a intencionalidade.
Parece que o único dinheiro que ele terá recebido foi cinco dólares (150 nos dias de hoje) quando escreveu, à mão, em 1892, para uma empresa que lho solicitou, as regras do basquetebol que foram transformadas em livreto.
Ele viveu no Kansas como professor de Educação Física e Capelão, mas nunca teve uma vida materialmente sem problemas. Pelo que se sabe teve de fazer duas hipotecas habitacionais que chegaram a ser executadas. Para conseguir ir aos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, onde houve a estreia oficial do basquetebol como desporto olímpico, os seus amigos tiveram de organizar eventos de modo a recolher o dinheiro suficiente para lhe pagar a viagem e restantes despesas.
Num tempo como o nosso e porventura ainda mais no tempo dele, em que as facilidades de vida não eram muitas para quem não era rico, penso que é admirável esta forma de estar. O legado de Naismith é sobretudo educacional e moral. Respeitemo-lo também, e muito, por isso.
Referência bibliográfica (onde foi retirada a citação inicial):
Cantwell, J. (2004). The physician who invented basketball. American Journal of Cardiology, 93, 1075-1077.












