A sabedoria popular diz que não há regra sem excepção. Contudo, há uma regra, que felizmente vai tendo não uma mas várias excepções, protagonizadas por pessoas, passe a redundância, excepcionais.
A regra é que ao fim de algum tempo, ou por entrarem na reforma, ou por cansaço de anos a fio sem fins-de-semana, primeiro em detrimento dos filhos e posteriormente dos netos, a maioria dos treinadores não profissionais, que são a larga maioria, uns mais cedo outros mais tarde abandonam a sua paixão pelo ensino do jogo e pelo treino.
Uma dessas excepções que eu muito admiro, pela forma entusiástica como continua a querer aprender e a dar treinos é Adelino Rodrigues.
Conheço o Adelino, o “Apaga a vela”, desde a minha adolescência quando comecei a jogar basquetebol. Não me lembro se em campo como jogadores chegámos a ser adversários, mas como treinadores eu no Carnide e tu na equipa de Economia ainda tivemos vários confrontos nos anos 80.
No entanto, foi o Clube Atlético de Queluz no início dos anos 90 que nos aproximou e passamos a conhecermo-nos melhor. Nesse tempo, peguei em jogadores, que tinham sido treinados por ti na época anterior à minha chegada ao Queluz. Não sei se alguma vez te disse, mas nunca ninguém em clube nenhum me passou uma caracterização, psicológica, física, técnica e táctica tão bem feita como a tua.
Talvez a capacidade de compreender, como poucos, a alma humana, resultasse da tua difícil profissão no Instituto/Centro Educativo Navarro Paiva. De Queluz ficaram-me mais duas recordações muito fortes. A nossa ida à Bélgica em autocarro 36 horas, com paragem em Paris, para irmos a um torneio em Charleroi e o facto da tua enorme disponibilidade para colaborares em tarefas múltiplas, que iam muito para além de dar treinos, um verdadeiro companheiro.
A minha admiração pelo teu companheirismo, pela tua liderança das equipas é enorme. Não conheço todos os teus sucessos como treinador e foram alguns, mas penso que poderiam ter sido ainda mais. Só não foram mais porque penso que foste um pouco vítima da lei de Murphy: “Quanto mais temes que algo suceda, mais provável é que aconteça.” O receio, o medo atrai o fracasso. Mas muito mais do que títulos o maior legado que tu deixas é as marcas e ensinamentos positivos, que deixaste e felizmente continuas a deixar em quem teve e continua a ter o privilégio de te ter como treinador.
Amigo Adelino, o amigo “Apaga a vela”, apaga as 74 velas do teu aniversário, mas nunca apagues a chama de vitalidade, que há dentro de ti, do prazer de dar treinos, do prazer de ensinar os mais novos.
PS: Não há regra sem excepção e hoje quebrei a regra de todas as primeiras terças-feiras de cada mês publicar o meu contributo para história do minibásquete, mas hoje dia de reis, hoje dia do teu aniversário, o rei da minha admiração és tu e por isso o contributo para a história do minibásquete ficou para a próxima terça-feira.












