Várias foram as preocupações subjacentes à realização do I primeiro grande evento organizado pelo recém-criado CNMB. Os hábitos instalados no MB eram no início do século, resultantes do marasmo em que este tinha caído durante
os anos 90 de século anterior, e eram os seguintes:
- As iniciativas para o minibásquete começavam normalmente em Fevereiro, quando os campeonatos distritais da formação terminavam e o apuramento para as provas nacionais estavam resolvidos.
- A maioria das Associações não tinha nos seus planos de actividade eventos para o minibásquete e as que tinham alguma actividade, esta era reduzida e residual.
- Os torneios e convívios de minibásquete estavam nas mãos de alguns clubes mais resilientes e preocupados com a formação.
Na realidade de Lisboa e Setúbal, aquela que nesses tempos eu conhecia melhor, passava muito pelos torneios de Natal organizados, por exemplo, pelo Clube Atlético de Queluz, pelo Barreirense e pela Portugal Telecom por iniciativa do Paulo Mendes, que anteriormente e antes da desistência do Sporting na modalidade também era um grande impulsionador da realização de actividades para o minibásquete.
Fruto deste panorama houve uma certa resistência por parte de diversas Associações, na data da organização I Memorial Mário Lemos ainda no decorrer do ano 2000, com o argumento que não tinham pessoas ou enquadramento humano para participar no evento.
Para vencer essa resistência e ultrapassar a dificuldade evocada, o I Memorial Mário Lemos foi marcado para o fim-de-semana de 25 e 26 de Novembro de 2000, coincidindo com a paragem das competições, por motivo da realização do Clinic dos Árbitros. Assim sendo o problema da falta de disponibilidade do enquadramento humano estava resolvido.
Este evento teve como finalidades principais:
a) Homenagear o Prof. Mário Lemos através dum convívio que reunisse cerca de 500 Minis “B” provenientes de todas as Associações do país.
b) Proporcionar a todos os participantes uma experiência desportiva e cultural.
c) Demonstrar a capacidade a diversas entidades, nomeadamente autarquias e empresas patrocinadoras a capacidade organizativa e de mobilização do CNMB com o intuito a incentivar a massificação da prática de actividades e dos praticantes de minibásquete.
O programa foi composto pela realização de 44 jogos, cada equipa fez dois jogos e pelo concurso do Cesto de Ouro realizados no Pavilhão da Ajuda e da Tapadinha. Durante a realização do evento foi oferecida uma ida ao Oceanário e um almoço no Colégio Militar, onde em 1966 houve a primeira apresentação oficial do minibásquete à Federação Portuguesa de Basquetebol. O programa foi enriquecido por uma exposição de fotografias dos primórdios dos minibásquete e pela eloquente evocação ao Prof. Mário Lemos efectuada pelo Prof. Dr. Carlos Gonçalves.
Todas as Associações se fizeram representar no evento, excepto a Guarda, Faial e Pico e Santa Maria. Como anfitriões do evento também estiveram presentes, duas equipas do Atlético e uma do Colégio Militar num total de 460 minis.
Desde início desta minha iniciativa mencionei, que ninguém faz nada sozinho, e um dos objectivos deste meu contributo para a história do minibásquete é o de agradecer os muitos voluntários que benevolamente sempre me acompanharam nesta aventura de dinamizar e dar visibilidade ao minibásquete. Neste primeiro evento pude felizmente contar com os seguintes amigos:
Coordenação da actividade no Pavilhão da Ajuda
Álvaro Saraiva e Fernando Lemos
Coordenação da actividade na Tapadinha
Hugo Sousa e Patrícia Patrão
Secretariado e informações
Ana Maria Freire e Carlos Daniel Nascimento
Acolhimento de informações no Oceanário
Martinho Nascimento
Distribuição de lembranças
Nuno Rodrigues e Susana Nina
Coordenação Colégio Militar
Coronel Manarte
Coordenação de alojamentos no G1EA (Marinha)
Carlos Dias e José Baleira
Cobertura fotográfica
Pedro Carvalho
Três últimos apontamentos:
- Para compreender qual era o estado do minibásquete no início do século nas considerações finais do evento era referida como nota menos positiva o seguinte: “Na concepção já mencionada, que estes eventos são um espaço de aprendizagem para toda a gente é de lamentar, por dificultar o preenchimento dos boletins de jogo, o facto de algumas equipas não terem aparecido devidamente equipadas.” (1) Facto que hoje em dia seria perfeitamente impensável.
- Por ação do António Lopes este evento teve direito a “banners” em vários jornais desportivos e foi noticiado nomeadamente no Jornal “A Bola” de 28 de Novembro de 2000.
- A título de curiosidade os vencedores do concurso do cesto de Ouro foram os seguintes. No masculino João Ferreira – Lisboa 48 pontos; no feminino Bárbara Santos - Lisboa 46 pontos Colectivamente somatório dos 3 melhores resultados no masculino Alentejo - 143 pontos, no feminino Aveiro - 125 pontos.
E assim foi lançada a bola ao ar do plano de atividades do CNMB visando o crescimento e desenvolvimento do minibásquete no nosso país.
(1) Relatório do I Memorial Prof. Mário Lemos, Novembro de 2000.












