A convite do companheiro Nuno Tavares, dei nos dias 22 e 23 de Dezembro a minha colaboração ao Celso Casinha, que dirigiu no Clube Nacional de Natação, o NBA School, destinado ao escalão de minibásquete.
Sempre pronto a incorporar novas ideias e sugestões aprendi com o Celso Casinha, que por sua vez aprendeu com o Sérgio Lara Bercial, um conceito que me agradou. O conceito é o conceito de bola quente, ou seja uma situação em que tenho condições para ir para o cesto ou lançar e bola fria, por oposição, quando o lançamento não é possível.
Contudo as coisas nunca são exclusivamente preto ou branco, e logo segundo o Celso um dos seus jogadores o questionou se não podia haver a bola morna. Como todos aprendemos com todos, o conceito de bola morna foi, tanto quanto sei, incorporado na linguagem do companheiro Celso.
Este conceito de bola quente, fez-me lembrar a frase que mais utilizo no ensino do jogo, que é a seguinte: Quando em zona de ataque uma criança recebe a bola, na grande maioria das situações, a primeira instrução que eu dou é “olha para o cesto”.
Quem foi por mim treinado, certamente se lembra desta frase. De futuro vou acrescentar que quem recebe a bola tem de compreender se esta está quente, morna ou fria e tudo o que isto implica na tomada de decisão.
Contudo nesta pequena estória o que mais me agradou foi a compreensão duma criança que no basquete, como na vida, nem tudo é preto ou branco, que há o cinzento e uma palete de cores incomensurável.
A título de exemplo não gosto da expressão que alguns treinadores utilizam, nomeadamente quando estamos a falar de crianças, de separar quem quer ser jogador de basquetebol, de quem quer apenas jogar à bola. Ou de outra dicotomia, para mim absolutamente absurda, dos adultos que dividem a aprendizagem em dois mundos, como se estes fossem totalmente antagónicos entre, o lúdico e o competitivo, como se o competitivo não pudesse ser lúdico ou lúdico não pudesse ser competitivo. Há muitas outras necessidades dos adultos de olharem para o mundo como se este só pudesse ter duas cores que eu poderia aqui mencionar.
Mas, quero aqui terminar com uma frase do grande pedagogo que muito me influenciou na forma de olhar a formação desportiva. Escreveu o Prof. Mário Lemos “Se o jogo é a actividade mais importante da criança, terá de ser também o melhor meio de acção educativa.” Atenção, estou a falar do jogo, não numa classificação. Esse é um conceito é uma abstracção que motiva acima de tudo os adultos, mas esse tema ficará para outro artigo.












