Tenho acompanhado com muito interesse todos os podcast do SerMinibasquete, feliz iniciativa do Luís Abreu. Recomendo seriamente a audição dos dois últimos episódios com a participação de
Milena Moulisová e Tim Brentjes, contudo o que me motivou escrever este artigo, foi o excelente episódio com o Sérgio Gomes.
Concordei e revi-me em praticamente tudo o que o Sérgio Gomes de uma forma simples e fluída foi dizendo na entrevista.
1. O ser fã de regras.
2. A importância do compromisso facilmente identificada pelo baixo número de ausências nos treinos.
3. A importância de uma aquisição correta dos fundamentos.
4. A forte preocupação em que as crianças compreendam e saibam ao seu nível interpretar o jogo consubstanciada em conceitos e não em jogadas.
5. A recusa de aceitação do não, quando as crianças não se sentem confortáveis com a atividade proposta.
6. A capacidade de fidelização das crianças que vão experimentar a modalidade pela primeira vez.
7. A baixa taxa de abandono.
8. Apesar de todos queremos sempre ganhar, a atenção na evolução dos praticantes, ser maior, que o foco nas vitórias.
9. A criação de uma linguagem que facilite a compreensão dos exercícios e do jogo.
10. A capacidade de observação do que se está a passar no treino associada a uma incessante procura de soluções.
11. A preocupação com as crianças mais inseguras, bem explícita no elogio que um dos seus jogadores lhe fez no final da época.
12. A realização de reuniões com os pais que conduzam a uma simbiose e a inclusão destes nos compromissos assumidos.
Todos estes assuntos, cada um por si, dava pano para mangas e para um artigo.
De tudo, o que com muito agrado ouvi dizer ao Sérgio Gomes, só houve uma única coisa, que embora perceba e não critico quem siga por esse caminho, nunca há só um caminho, uma solução e como costumo dizer, desde que eu compreenda a lógica, a coerência e esse caminho apresente resultados, quem sou eu para dizer, como num dos mais belos poemas da literatura portuguesa, o Cântigo Negro de José Régio, por onde é que devemos ir. Contudo há uma coisa que o poeta sabe: "Não sei por onde vou. Sei que não vou por aí."
O assunto, sobre o qual eu não penso exatamente como o Sérgio Gomes, é quando ele afirma que os pais não deveriam assistir aos treinos. Também eu passei por muitas situações semelhantes às que o Sérgio relata, de crianças que estão frequentemente a olhar para a bancada à procura da aprovação do pai ou da mãe ou de um auxílio quando eu estou a chamar a atenção ou a reprendê-los. A minha proposta não é, por um conjunto alargado de motivos, interditar a presença dos pais. A minha sugestão fica para o artigo a ser publicado no dia 10 de fevereiro, hoje fico-me por um grande elogio à entrevista do Sérgio Gomes.













