Devem os pais assistir aos treinos dos seus filhos? Há muitos treinadores de minibásquete que defendem que os pais não deveriam assistir aos treinos dos seus filhos.
Como tudo na vida há vantagens e desvantagens nessa decisão. O principal motivo, pelo qual os treinadores defendem que os pais não devem assistir aos treinos prende-se com a situação mencionada pelo Sérgio Gomes na sua entrevista no Podcast SerMinibásquete. São os momentos em que as crianças frequentemente estão a olhar para a bancada para os pais. Este fator de distração de algumas crianças interfere evidentemente no treino, pois a sua atenção está fora do treino.
Uma das formas de resolver este problema é sem dúvida impedir que os pais assistam aos treinos da mesma forma que também não assistem às aulas dos seus filhos nas escolas. Contudo na comparação entre os dois universos há uma grande diferença, na aprendizagem desportiva existem os jogos e nestes não é possível impedir a presença dos pais e a situação não desejada nos treinos pode surgir de novo.
Nunca gostei de generalizações e também não gosto que “pague o justo pelo pecador”. Da minha experiência a maioria dos pais sabe assistir aos treinos sem interferir e como tal não devo impedi-los de presenciar os treinos, só porque algumas crianças não conseguem desligar este cordão umbilical. Assim, como nunca podemos autorizar que os pais deem instruções nos treinos para dentro do campo, também temos de encontrar soluções para que as crianças se desliguem da presença dos pais.
Contudo já tive uma situação, que vou narrar, que não consegui solucionar. Já lá vão dez anos, tive uma criança que cada vez que eu o corrigia, elogiava ou chamava a atenção, olhava imediatamente para o pai. A primeira estratégia foi neste caso concreto diminuir o número de intervenções. Mesmo assim a criança estava de volta e meio a olhar para o pai. Outra das estratégias que utilizei foi a seguinte, sempre dirigia a palavra a ele ou ao grupo fazia maneira que estivesse ou estivessem de costas para a bancada onde estava o pai desta criança.
Contudo, mesmo assim, virava a cabeça à procura do olhar do pai. Nessas ocasiões eu intervinha e dizia-lhe: "Olha para mim, eu estou a falar contigo". Depois de ter tentado explicar à criança, sem sucesso, que não devia estar sempre a olhar para a bancada acabei por achar melhor falar diretamente com o pai. Nessa conversa perguntei diretamente ao pai se confiava no meu trabalho. Então, como confiava, eu pedi-lhe para que deixasse o filho no treino e só regressasse no final para o ir buscar, pois a sua presença não apenas estava a dificultar o meu treino, como estava a limitar a evolução e crescimento do filho. No final da conversa fiquei com a sensação que o pai tinha compreendido a minha mensagem.
Contudo o que é que aconteceu, o pai passou a deixar o filho no treino sair e passado uns segundos estava à porta do pavilhão a espreitar lá para dentro e o filho sabia que ele estava à porta do pavilhão e passou a olhar para a porta à procura do pai. No entanto, houve pais com quem tive a mesma intervenção e que a situação foi resolvida, até que aos poucos puderam voltar a assistir aos treinos. Ainda vou voltar a este tema, mas para já fico-me com uma frase muito pouco pedagógica, mas infelizmente verdadeira. Há situações em que não vale a pena, pois há alguns, como esse pai, que nunca aprendem.













