Senda Berenson Abbott, nascida na Lituânia, veio ainda criança para os EUA. Em termos profissionais foi uma professora de Educação Física que trabalhava no Smith College, em Massachussets.
Aos vinte e três anos tomou conhecimento do novo jogo de basquetebol e teve a oportunidade de conhecer, na altura, James Naismith que a encorajou a introduzir o jogo nas praticantes femininas.
Decidiu então adaptar o jogo num tempo em que as mulheres praticavam apenas atividades individuais pois as coletivas eram consideradas perigosas e cansativas demais para o então considerado “sexo fraco”. Senda, foi assim uma pioneira não só do basquetebol feminino – ficou conhecida como “a mãe do basquetebol feminino” – mas representou também uma personalidade inovadora quanto à introdução de práticas coletivas para o sexo feminino. Aliás, foi o sucesso desse novo jogo que abriu portas para a introdução de outras práticas coletivas no desporto feminino.
O primeiro jogo oficial feminino terá sido jogado em 22 de março de 1893 e foi conduzido por Senda. Refira-se, por curiosidade significativa, que das cerca de oito centenas de espetadores, nenhum era homem, por não ser permitido. Dois anos depois já havia centenas de equipas espalhadas pelo território norte-americano. Há que informar também que a adaptação das regras foi escrita por ela e muitas mantiveram-se em vigor durante cerca de setenta anos. Escreveu também muitos artigos e editou um livro - Basket Ball for Women – que foi publicado pela Spalding Athletic Library em 1899.
Em 1905 ela passou a fazer parte do comité de regras do basquetebol, e lá se manteve até 1917.
Em 1984, os seus contributos para o basquetebol foram reconhecidos e ela foi a primeira mulher a entrar no Basketball Hall of Fame in Springfield, Massachusetts.
Algo que aconteceu com o basquetebol feminino e que também ocorreu com a prática de vários desportos pelo sexo feminino, foi a adaptação, por vezes profunda, das suas regras. O jogo feminino, caraterizou-se muito tempo pela prática em grelha. Havia jogadoras que jogavam só no terço defensivo, outras que jogavam apenas no terço médio do terreno e outras que se limitavam ao terço ofensivo. E as restrições relativamente ao uso do drible foram muito mais limitativas no jogo feminino, prolongando-se, nos EUA, até 1950.
Nesse ano era permitido só um batimento, isto quando os homens já tinham vencido essas barreiras há muito tempo. É de sublinhar que o que acabamos de referir para o basquetebol feminino aconteceu nos outros desportos. As mulheres eram consideradas inferiores aos homens em capacidades e não aptas a participarem em atividades até ali tipicamente masculinas.
No atletismo, por exemplo, durante muito tempo as distâncias de corridas das mulheres foram diferentes das dos homens e ainda agora há provas reservadas a mulheres que os homens não realizam e vice-versa. No âmbito dos jogos coletivos, o jogo denominado Netball, com muitas parecenças com o basquetebol e nele inspirado é praticado em alguns países exclusivamente por mulheres.
Podemos assim afirmar que o basquetebol feminino esteve durante muito tempo limitado por várias adaptações e especificidades que travaram a sua evolução. Um facto bem demonstrativo disso foi o da entrada da versão feminina do jogo nos Jogos Olímpicos apenas ter acontecido nos Jogos Olímpicos em 1976, em Montreal, quarenta anos depois do mesmo ter acontecido com o jogo masculino (em 1936 em Berlim).
Senda Berenson Abbott foi também uma das primeiras mulheres que assumiu a liderança em processos e organizações que costumavam ser protagonizados apenas por homens.
Diga-se, por último, que as competições internacionais deram um grande impulso para a igualização das formas de jogo nos EUA entre mulheres e homens.
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