Hoje em dia existe um conjunto de treinadores que não gostam de usar e não usam, por um conjunto diversificado de motivos, o apito. Um dos motivos, que já ouvi para não usar o apito,
é que este transmite uma sensação de que o treinador está a ser autoritário e não um líder. Não me parece que esta seja uma tendência que vá singrar, julgo mais ser uma moda, que como muitas das modas passará. Eu continuo a usar o apito e não é este facto que faz de mim melhor ou pior treinador, mais ou menos líder.
Contudo, seguindo o princípio enunciado no meu último artigo e com o qual eu sem ser em termos absolutos, nomeadamente quando falamos de minibásquete, concordo, eu continuo a usar o apito. O princípio de que estou a falar é o quanto mais o treino se assemelha ao jogo, mais o jogo se torna uma sequência natural do treino. Se aceitamos este princípio, que lógica é que há em deixarmos o apito de fora do treino? No jogo os árbitros não usam apitos?
Na minha opinião usar um apito não corresponde a ser autoritário, contudo há um valor que o treinador tem que ter é autoridade, e esta conquista-se em grande parte a partir das palavras competência, confiança, coerência justiça e principalmente no caso das crianças empatia. Os treinadores dos escalões de formação, nomeadamente os do minibásquete, tem nos dias de hoje uma tarefa com a qual o treinador de seniores não tem que enfrentar: Saber lidar com os pais, conquistar a sua empatia e confiança, pois como foi dito no artigo anterior sem pais não há minibásquete.
Contudo esta dependência dos pais não lhes dá o direito, como foi dito no artigo anterior, de interferir no trabalho dos treinadores. Podem e devem nos momentos certos e de forma correta questionar e perguntar. Estas interpelações nunca devem ser feitas em contexto de treino ou jogo. Deste modo enquanto treinador ou coordenador estive sempre pronto às perguntas, às dúvidas, ao diálogo, mas fechei sempre as portas às interferências nos treinos e nos jogos.
Nas raras situações, que enquanto coordenador do minibásquete do Belenenses tive que intervir, na situação de treino interrompi o treino e agi e falei logo diretamente para quem estava a interferir. Na situação dos jogos, quer por interferência na orientação dos treinadores, quer por uma única situação que tive, esta não por interferência no trabalho dos treinadores, mas por ofensas à arbitragem preferi posteriormente, calmamente falar com quem tinha tido comportamentos na minha perspetiva desadequada.
O meu argumento era muito simples, eu nunca poderia aceitar ter um discurso que convictamente defendo e depois silenciar-me quando as situações, felizmente muito pontuais surgiam. Repito e reforço, a regra é muito simples, perguntar, apresentar as suas dúvidas, questionar sempre, interferir e ofender nunca.












