"O Senhor há muito tempo me ensinou que há coisas mais importantes do que o basquetebol."
Kenny Sailors
As primeiras formas de escrever História valorizavam sobremaneira os grandes nomes: Reis, Chanceleres, Papas, etc, eram os seus personagens favoritos. Já há muitas décadas que os historiadores profissionais mais sérios e preparados sabem que a História não se faz de grandes personalidades embora estas possam ter papeis por vezes decisivos no rumo dos acontecimentos. A infraestrutura económica e tecnológica no seu sentido mais largo e a superstrutura política, científica, filosófica e artística fazem-se das ações dos povos, de evolução coletiva das mentalidades, as mais das vezes lenta, mas por vezes, subitamente rápida devido a fatores múltiplos. No basquetebol acontece o mesmo.
O lançamento em suspensão não foi, decididamente, uma invenção de um homem só. Um excelente livro de John Christgau* é elucidativo disso. Contudo, houve um homem que conseguiu cristalizar numa época, a década de 40 do século XX, uma forma que ainda agora nos parece madura e avançada de realizar o que veio a ser chamado de “Jump shot”. Esse jogador foi Kenny Sailors. Porventura, o que lhe deu fama, e, diríamos, o imortalizou, foi uma foto de 1943, saída na revista LIFE, mostrando Kenny a executar um lançamento que não desmereceria a atualidade.

Kenny morreu com 95 anos já no século XXI e ainda viveu para participar num extraordinário e bonito documentário cujo nome é o mesmo do título que utilizei para encimar este meu apontamento.
Não vou aqui fazer nenhum spoiler extensivo. Acerca do homem e do documentário vou só dizer que foi a necessidade que aguçou o seu engenho, nas suas brincadeiras com o irmão mais velho no seu Wyoming natal. Muito significativos são os testemunhos de três mestres do “jump shot” da NBA: Stephen Curry, Dirk Novitzky e Kevin Durant, extasiados com a inventividade motriz de Sailors e o seu exemplo de vida, num tempo em que ser jogador profissional não era ainda muito rentável do ponto de vista económico. Passam no documentário outros jogadores e treinadores célebres do basquetebol norte-americano.
É verdade que houve muitos jogadores que foram contribuindo para este “salto” na interpretação de uma forma diferente de jogar basquetebol, contra muitas resistências de puristas obtusos (verão, no documentário, o que Kenny defrontou).
Por favor, não percam a oportunidade de ver o exemplo de um homem extraordinário que foi também um jogador extraordinário e não só no jump shot. E a sua vida familiar e social foi também motivo de admiração.
Para vos aliciar, deixo nas referências o link do trailer do filme**.
* The Origins of the Jump Shot: Eight Men Who Shook the World of Basketball. Livro de John Christgau

ENTRETENIMENTO 








