A semana passada o bairro da Cova da Moura foi uma vez mais amplamente noticiado por motivos policiais. Maus motivos despertam sempre mais curiosidade
e vende sempre mais do que o extraordinário trabalho realizado por Lieve, infelizmente, recentemente falecida e com uma morte muito pouco divulgada na comunicação social. Foi Lieve, que tem o mesmo nome de uma santa do século XI Goodlieve, que criou uma obra extraordinária, a Associação Cultural Moinho da Juventude.
Foi em 1998 na minha breve passagem pela direção técnica da Associação de Basquetebol de Lisboa, que eu comecei a ter contacto, através do então jovem treinador Carlos Daniel Nascimento, o “Dinhela”, com a Associação Cultural Moinho da Juventude, que durante mais de uma década realizou um trabalho digno de realce no universo do minibásquete.
A forma disciplinada e respeitadora, sempre muito bem organizados e equipados, como as equipas de minibásquete da Associação Cultural Moinho da Juventude se comportavam e se apresentavam no pavilhão da Ajuda, foi um facto que me impressionou desde o primeiro contacto. Lembro-me bem de perguntar ao Dinhela, como é que ele conseguia apenas com a ajuda de um irmão mais novo controlar e disciplinar mais de 30 crianças.
As respostas do Daniel ficam para outro dia, pois acreditem, que tenho muitas estórias para contar da minha vivência e amizade surgida desde esses tempos. Garanto-vos que aprendi muito com esse intercâmbio e com o Carlos Daniel. Por reconhecer as suas capacidades, quando dois anos mais tarde cheguei à Federação, convidei-o para enquadrar os minis que iam representar Portugal no Jamboree Europeu de 2000 em São Remo na Itália, onde o seu trabalho foi altamente elogiado.
Quando soube que a Lieve, que não cheguei a conhecer pessoalmente, tinha falecido tive o cuidado de imediatamente ligar ao Carlos Daniel e pedir-lhe que fizesse um breve resumo do que foi o minibásquete da Associação Cultural Moinho da Juventude, que na fase inicial do surgimento do CNMB , Março de 2000, viajou e maravilhou pelo seu comportamento, alegria e vitalidade todos os lugares, e foram muitos por esse país fora, por onde estiveram presentes.
Curiosamente nesse resumo ele esqueceu-se da participação no I Acampamento do CNMB Homenagem a Cremildo Pereira, que por iniciativa do Prof. Rui Costa, decorreu em Vieira do Minho. Desse evento guardo uma brilhante intervenção do Cremildo Pereira, que envolve o Moinho da Juventude.
Amanhã publicaremos o texto do Daniel, e em anexo a este artigo com recurso à IA poderão ler um breve apontamento dessa grande senhora que foi a Lieve.
Termino esta singela homenagem à Goodelieve Meersschaert dizendo que não gosto de estigmas, nunca gostei de generalizações, na Cova da Moura, local que a Lieve elegeu para viver em Portugal, habita muita gente boa e honesta.
Quem foi Goodelieve Meersschaert?
Origem
Nasceu na Bélgica no dia 25 de Abril de 1945, e licenciou-se em psicologia na Universidade de Louvaina.
Vida em Portugal
Mudou-se para Portugal no final da década de 1970 e começou a viver na Cova da Moura em 1982.
Activismo comunitário
Em 1987 integrou o grupo de moradores que criou a Associação Cultural Moinho da Juventude, um projecto comunitário que tinha por finalidade lutar por melhores condições de vida (saneamento básico, educação, cultura e direitos sociais) no bairro.
Liderança
Foi presidente da Associação e uma figura central no desenvolvimento de diversas iniciativas culturais, desportivas e sociais na Cova da Moura.
Reconhecimento
Em 2005 foi condecorada com a Ordem de Mérito, pelo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, pelo seu trabalho comunitário.
Falecimento
Morreu em Fevereiro de 2026 no seu país de origem, a Bélgica.











