Congelamento da posse de bola
 
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Congelamento da posse de bola

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altO nosso jogo atravessou durante mais tempo do que seria desejável uma fase de profunda estagnação ao nível do tempo de posse da bola. Por exemplo, em 1952,

nos jogos olímpicos de Helsínquia, a equipa da URSS, depois de se encontrar à frente do marcador, manteve a posse da bola larguíssimos minutos num jogo contra o Brasil. Já no Europeu de basquetebol de 1953, a mesma URSS terá imposto a mesma sorte à equipa da Hungria. Isto levou a que em 1956 a FIBA determinasse a criação da regra dos 30 segundos para lançamento. Na NBA, num jogo de 1950 entre os Fort Wayne e os Minneapolis, aconteceu algo semelhante o que, através do somatório de fenómenos semelhantes, levou às autoridades respetivas a imposição da regra dos 24 segundos em 1954.

Antes da alteração às regras definidoras de limites para a posse da bola, muitas equipas, depois de assegurarem vantagens, magras que fossem, mantinham a posse da bola através de passes e dribles sem a mínima intenção de lançar, provocando, suponho eu, profunda sonolência nos espetadores que gostassem do jogo. Já os fans da equipa que estava a ganhar provavelmente mantiveram o “entusiasmo” e a claque contrária, esperançada numa reviravolta ainda possível continuava desperta até ao fim do “jogo” se é que se pode chamar isso a uma estopada monumental.

Os antídotos para essas estratégias de paralisação do jogo tardaram. No basquetebol universitário norte-americano masculino (no feminino as alterações foram bem anteriores) só em 1985, depois de episódios parecidos com os anteriormente descritos é que se impôs a necessidade de cronómetro para limitar a posse da bola.

Há que informar que antes mesmo destas medidas regulamentares aqui expostas, - a que se juntaram, antes ou depois, a passagem do meio-campo em 10 ou 8 segundos, o campo atrás e os 14 segundos após ressalto ofensivo ou reposição no campo de ataque - outras medidas, de outra natureza, foram tentadas. Medidas tático-técnicas, como por exemplo, o uso de pressões em todo o campo, foi uma das tentativas mais aplicadas no tempo anterior ao cronómetro. Contudo, pelos riscos que corriam as equipas que as faziam, sobretudo quando confrontavam equipas tecnicamente e fisicamente superiores, esse meio não foi a solução cabal e generalizada. As faltas dadas foram também outra medida ad hoc para resolver o problema, mas como podemos imaginar não contribuíam para um jogo bem jogado, bem pelo contrário.

Diga-se, em abono da verdade, que uma equipa como Villanova, que foi campeã da NCAA sendo morfologicamente inferior a todas as equipas adversárias nas fases finais, conseguiu vencer devido a um uso muito inteligente do tempo da posse de bola e das percentagens de lançamento (na final contra Georgetown de Pat Ewing realizada em 1 de abril de 1985).

Hoje que sabemos como o jogo é, com todas as sua regras posteriores de controlo do tempo da posse da bola, não imaginamos como houve tanta falta de imaginação no passado, ou então, tanta resistência a introduzir mudanças que resolvessem aquele bicudo problema.

Mas dizer que houve falta de imaginação não está correto pois foram avançadas várias soluções, que foram sumariamente rejeitadas. Walter Meanwell, um histórico do basquetebol norte-americano da primeira metade do século XX, com obra escrita relevante, propôs soluções algo bizarras e extremas como realizarem-se os lances-livres (LL), por atacado, só no fim dos jogos, só se realizando os LL com rácios positivos, isto é, se uma equipa tivesse 6 LL e outra só 4, a primeira só tentaria dois e a outra nenhum. Uma outra solução, parecida com a que o andebol faz tempo utiliza, a do antijogo no ataque, não vingou por ser demasiadamente subjetiva para os gostos do meio basquetebolista e também pela oposição dos árbitros.

Verdade seja dita, mais tarde ou mais tarde, e por vezes mais cedo do que tarde, o basquetebol tem encontrado soluções para problemas que nele vão aparecendo como este que aqui expusemos.


O artigo de “ Bola” sobre esta questão pode ler aqui
 

 

 


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