Por motivos climáticos foi adiada, pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, a inteiramente merecida homenagem ao amigo Luís Laureano, figura incontornável do basquetebol alentejano e nacional.
Contudo eu que irei, com enorme prazer, certamente estar presente na inauguração do campo de 3x3 associado ao Basket Art, resolvi não adiar a minha sincera homenagem.
Cruzei-me pela primeira vez com o Luís, numa acção de formação, com o Ron Nickenwicz em Lisboa. Os jovens com que o treinador americano estava a treinar eram na época juniores e na memória ficaram-me entre outros exercícios, a sugestão que Ron Nickenwicz deu para se trabalhar com jovens altos, como era o caso do Armando Mota, o jogador português mais alto na sua época. Mais tarde como adversários, pela forma como as nossas equipas jogavam, o Luís treinador dos seniores do Atlético Clube de Reguengos de Monsaraz e eu treinador do Carnide, compreendi, que ambos tínhamos sido influenciados pelo Ron Nickenwicz.
Estes confrontos deram-se na década de 80 do século passado. Contudo a nossa amizade nasceu em 1999, nos loucos dias das finais do Mundial de Juniores no Pavilhão Atlântico. O Prof. Manuel Fernandes, então diretor técnico da FPB, praticamente sem me conhecer, intuitivamente, resolveu confiar em mim a direção das finais do Mundial realizadas, no então Pavilhão Atlântico. Foram 5 dias em que o Luís Laureano, com o seu rigor, capacidade de organização, serenidade e bom senso foi o meu braço direito e uma ajuda incomensurável no sucesso organizativo das finais do campeonato do Mundo. A partir desse momento a nossa amizade ficou selada até aos dias de hoje.
Fruto da amizade surgida nesse evento, quando meses depois assumi o papel de diretor técnico do minibásquete, foi o amigo Luís Laureano então diretor técnico da AB Alentejo, o primeiro a apostar em mim e a convidar-me para realizar várias ações de formação destinadas ao minibásquete. Essas ações foram depois replicadas por todas as Associações do país, mas devo ao Luís Laureano a gratidão de ter sido o primeiro a acreditar na importância das muitas ações que realizei enquanto diretor técnico do CNMB.
Não vou aqui falar, por não conhecer a fundo, sobre todo o trajeto do Luís Laureano enquanto fundador da Associação de Basquetebol do Alentejo e fundador, dirigente e treinador do ACRM/BVRM. Também não quero alongar-me sobre o seu prolongado trabalho enquanto director técnico da AB do Alentejo, uma das Associações mais complexas, pela extensão territorial que ocupa no país. Hoje quero apenas falar do amigo Luís, do ponto de vista humano. O Luís, homem de enorme honestidade, homem com enorme capacidade de trabalho e organização, o Luís amigo do seu amigo, o Luís de inúmeras qualidades, tantas, que seria difícil num breve texto expor todas as suas qualidades.
O seu valor para o basquetebol é incomensurável, bem maior do que muitos nomes sonantes, bem mais conhecidos. O Luís nunca necessitou de andar nos bicos dos pés e os seus projectos são bem mais difíceis de realizar, pois são uma obra feita bem no interior do país, bem longe dos grandes palcos dos centros urbanos.
Todas as pessoas que dão a cara e apresentam o seu trabalho não estão isentas de críticas. Muitos pensam que a crítica é uma derrota, no entanto se ninguém te critica significa que não és importante. Se alguém tenta menorizar o teu trabalho é porque provavelmente estás acima deles. O Einstein disse que as pessoas fracas vingam-se, as pessoas fortes perdoam, as pessoas inteligentes ignoram. Tanto quanto conheço a personalidade do Luís, soube sempre qual o seu caminho e soube sempre ignorar as críticas injustas.
Enquanto diretor técnico do minibásquete percorri o país inteiro e sei, que construir uma Associação numa área tão extensa e um clube, num concelho que atualmente não chega a ter 10.000 habitantes, e que, no entanto já chegou a ter todos os escalões, no masculino e no feminino, desde o minibásquete até aos seniores é uma obra, um feito extraordinário, só ao alcance de muito poucos.
Ninguém consegue fazer uma obra como a alcançada pelo Luís Laureano sozinho. As dificuldades, de em meios pequenos ter, nomeadamente treinadores, para tantas equipas obriga a muito desdobramento. É um trabalho ciclópico. Um dos principais méritos, entre muitos outros, foi a capacidade do Luís envolver muita gente nos seus projetos. Nunca conseguiria mencioná-los a todos. Com o grau de injustiça, que o meu conhecimento possa levar a não referir tantos outros, não quero deixar de mencionar aqui o seu companheiro de longa data Carlos Janes. Várias foram as figuras, que nasceram nos projetos criados pelo Luís Laureano, como por exemplo o prestigiado árbitro José Fernandes, o Luís Caeiro, atual diretor técnico da AB do Alentejo e a jovem Maria Janeiro, atualmente no Centro de Treino do Jamor. Como diretor técnico da AB Alentejo, não posso deixar de referir a influência que o Luís teve sobre o Sérgio Rosmaninho, ex diretor técnico nacional do minibásquete.
É por isso que eu digo, tivessem todos os concelhos do país, por cada 10.000 habitantes, um clube com a capacidade organizativa e a dinâmica do clube do Luís Laureano, o basquetebol seria certamente o desporto número um neste país. O Luís tem a capacidade de provocar o efeito que uma pedra tem num lago em que as ondas que esta provoca se espalham ao seu redor.
Da minha parte como seu amigo e um apaixonado pelo basquetebol só tenho duas palavras a dizer ao Luís do fundo coração: Muito obrigado!










