Quo vadis ANTB?
 
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Quo vadis ANTB?

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Quo vadis ANTB?O artigo do treinador Henrique Santos merece leitura atenta porque é um apelo à responsabilidade coletiva. E é justamente aí que a discussão deve começar: a ANTB não é uma entidade abstrata,

nem pode ser tratada como se existisse à margem dos treinadores. A ANTB somos nós, na medida em que participamos, contribuímos e assumimos que a valorização da profissão depende também da nossa ação.

É verdade que a pergunta “quo vadis ANTB?” continua atual. Mas ela não deve servir apenas para apontar fragilidades; deve também obrigar-nos a reconhecer o trabalho já realizado e a recentrar o debate no que realmente importa: formação, representação, comunicação e participação. Em 2025, a ANTB procurou precisamente reforçar estes eixos através de ações concretas, com destaque para a formação contínua, o trabalho junto dos sócios e a aproximação a diferentes realidades do país.

O trabalho feito em 2025

A formação contínua foi, como sempre, uma prioridade. O Clinic Internacional da ANTB, realizado no Barreiro em julho de 2025, reuniu 212 treinadores e contou com formadores de elevado nível, como Chus Mateo, George Dikeoulakos, José Neto, Norberto Alves e André Janicas. Para além disso, a ANTB manteve o projeto “ANTB na Estrada”, levando formação ao Funchal e reforçando a lógica de descentralização, essencial num país onde a distância continua a ser um obstáculo real para muitos treinadores.

Também o projeto “ANTB em Valência” voltou a afirmar-se como uma iniciativa de excelência, permitindo a três treinadores portugueses contacto direto com uma realidade de elite e garantindo depois a disseminação dessa experiência através de artigos e ações formativas futuras. Esta aposta mostra uma ANTB que não se limita a organizar eventos, mas que procura criar oportunidades de crescimento, observação e partilha para os seus associados.

Comunicação e proximidade

Uma das críticas mais sensíveis prende-se com a comunicação e a presença digital. Essa crítica deve ser recebida com seriedade, porque a ANTB só será relevante se conseguir estar mais próxima do quotidiano dos treinadores. Ainda assim, importa notar que em 2025 houve investimento na atualização do site, no reforço da comunicação por email e redes sociais, na manutenção de uma “videoteca” online e na disponibilização de conteúdos técnicos e materiais de parceiros.

Naturalmente, há sempre caminho a fazer. A comunicação institucional não se mede apenas pela existência de canais, mas pela sua utilidade, regularidade e capacidade de mobilizar. Nesse ponto, a ANTB tem de continuar a evoluir, simplificar acessos e tornar os conteúdos mais vivos, mais frequentes e mais úteis para quem está no terreno.

Formação e valorização

Sem treinadores de formação fortes, competentes e respeitados, não há, simplesmente, um futuro sustentável para o basquetebol. A ANTB reconhece essa verdade e tem procurado afirmar o papel do treinador em várias frentes: no apoio jurídico, na valorização pública do mérito, na edição da revista “O Treinador” e na cooperação com clubes e estruturas locais para a realização de ações de formação de curta duração.

Mas a valorização do treinador não pode ser colocada apenas nas mãos da Associação. Ela exige também disponibilidade, organização e coragem por parte dos próprios treinadores para se envolverem, participarem e assumirem liderança dentro da sua comunidade. A crítica à falta de reconhecimento é legítima; a resposta, porém, tem de passar por uma cultura mais exigente, mais ativa e mais responsável, em que cada um assuma o seu papel na construção do coletivo.

Relação com a ENB

A articulação entre a ANTB e a ENB deve ser permanente, transparente e produtiva. Sempre que exista desfasamento entre a formação disponibilizada e as necessidades reais dos clubes — seja por excesso de oferta, seja por falta de correspondência com o contexto concreto — essa realidade deve ser analisada sem reservas, com sentido crítico, mas também com espírito construtivo.

A ANTB não pretende substituir a ENB; pretende posicionar-se como um agente interventivo na promoção de um modelo formativo mais rigoroso, aplicado e alinhado com as necessidades concretas do processo de treino.
Isso exige diálogo, mas também capacidade de iniciativa. Não chega apontar fragilidades na formação de treinadores; é necessário contribuir para a sua melhoria, através da reflexão técnica e da partilha de experiências concretas que aproximem a formação académica e curricular das necessidades sentidas no terreno, num trabalho articulado entre a ENB e a ANTB.

Responsabilidade partilhada

O que estamos nós, treinadores, dispostos a fazer para que a ANTB volte a ser relevante e útil? Essa pergunta é uma interpelação a todos os associados, sobretudo aos que sentem distância, mas que continuam a ter capacidade de intervir, escrever, participar, propor e liderar.

A verdade é que uma associação forte não se constrói apenas com boas intenções, nem apenas com trabalho diretivo. Constrói-se com presença, contributo e espírito coletivo. E importa reconhecer que a Direção da ANTB é composta por treinadores que, além da sua atividade profissional própria, disponibilizam o pouco tempo livre de que dispõem para assegurar a continuidade da associação e responder às necessidades da classe. Essa dedicação merece ser valorizada, sem que isso diminua a exigência que naturalmente deve existir.

Também é importante sublinhar que conhecer verdadeiramente o trabalho desenvolvido pela Direção da ANTB implica fazer parte ativa da vida da Associação: ser sócio, manter as quotas regularizadas, participar nas assembleias gerais e acompanhar de perto a sua atividade. A crítica é sempre legítima, mas torna-se mais sólida e mais útil quando nasce do envolvimento efetivo.

Cabe à Direção criar condições, abrir portas e dinamizar; cabe aos treinadores entrar, participar e ajudar a construir. Só assim a ANTB poderá voltar a ser mais do que uma estrutura de representação: uma verdadeira comunidade técnica ao serviço do basquetebol português.

Em suma, a reflexão é legítima e útil, porque obriga a ANTB a olhar para si própria e a fazer melhor. Mas também é importante reconhecer que houve trabalho, houve ação e houve vontade de manter a associação viva e interventiva em 2025. A pergunta certa talvez não seja apenas “quo vadis ANTB?”, mas “quo vadis, treinadores portugueses?”.

A resposta não pode ser individual. Tem de ser coletiva, exigente e comprometida com o futuro da modalidade.

 

 


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