Presente em 3 jamborees
 
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Presente em 3 jamborees

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Presente em 3 jamboreesVi pela FPB-TV o jogo espetacular que permitiu que o GDAR  obtivesse o título de Campeão Nacional da 1ª Divisão Feminina. Pelo facto inédito de um clube da Associação de Basquetebol do Alentejo 

ter pela primeira vez alcançado o primeiro patamar do basquetebol feminino e por conhecer a Catarina desde os minis, fiquei curioso por saber mais da sua trajetória desde o 16º Jamboree de 2009 em Paços de Ferreira.


1. Porque acompanhei de perto o surgimento da secção de basquetebol feminino sei que começaste a jogar no Vitória Mindense. Que memórias tens desse tempo, quem foram os teus treinadores nas nove épocas em que jogaste no Mindense?
O Vitória Mindense foi muito mais do que o clube onde comecei a jogar basquetebol. Para mim, sempre foi uma segunda família.
Guardo memórias incríveis desses anos. Muitas das minhas amigas da escola jogavam comigo na mesma equipa, o que tornava toda a experiência ainda mais especial. Os treinos, os jogos, as viagens e todos os momentos de convívio criaram memórias que guardo com enorme carinho e amizades que perduram até hoje.

Ao longo das nove épocas que representei o clube, tive a sorte de trabalhar com vários treinadores que contribuíram para a minha evolução, não só como atleta, mas também como pessoa. Cada um deles deixou ensinamentos importantes que levo comigo até hoje, desde o Rui Santos ao Nuno Batista e, claro, ao meu pai.

O Vitória será sempre um clube muito especial para mim. Costuma dizer-se que não importa onde chegamos, desde que nunca nos esqueçamos de onde viemos. Eu levo essa frase muito a sério, porque foi no Vitória que nasceu a minha paixão pelo basquetebol e onde construí algumas das memórias mais marcantes da minha vida.

2. Na tua opinião o que conduziu ao fecho da secção de basquetebol do Vitória Mindense?
Em primeiro lugar, a reduzida população da vila de Minde dificultava a captação e retenção de atletas, especialmente no setor feminino. Além disso, muitas jovens optavam por outras atividades extracurriculares, como o ballet, o conservatório de música ou outras modalidades, reduzindo ainda mais a base de recrutamento disponível.

Depois o STAFF funcionava com um número muito reduzido de treinadores para várias equipas. Esta realidade originava uma sobrecarga de trabalho significativa, levando ao desgaste dos recursos humanos existentes. Os treinadores acumulavam funções de treino, gestão e acompanhamento das equipas, ficando sem tempo disponível para uma das tarefas mais importantes para a sustentabilidade do clube: a captação de novos atletas. Acresce o facto de os treinadores não desenvolverem atividades profissionais ligadas ao ensino ou ao desporto, o que dificultava a criação de contactos regulares com potenciais praticantes nas escolas.

Deste modo, o fecho da secção de basquetebol do Vitória Mindense não resultou de uma única causa na minha opinião, mas sim da conjugação de dificuldades na captação de atletas e escassez de recursos humanos.

3. Esse trabalho desenvolvido no Vitória Mindense e o teu gosto pelo basquetebol, levou o teu pai, sem ligação anterior à modalidade, a tirar o curso de treinador de Nível 1. Em que medida o entusiasmo que provocaste no teu pai influenciou estes anos todos ligados ao basquetebol?
Foi uma influência muito grande. O meu pai não tinha qualquer ligação ao basquetebol, mas tinha uma ligação muito forte ao clube, o Vitória Mindense através do futebol. Quando comecei a jogar basquetebol, começou a acompanhar-me em tudo e, sem dar por isso, acabou por se apaixonar também pela modalidade.

Aquilo que começou por ser apenas o apoio de um pai à filha transformou-se numa verdadeira dedicação ao basquetebol. Tirou o curso de treinador e procurou sempre aprender mais. Ia ver jogos das seleções nacionais, assistia a treinos das seleções regionais e observava outros treinadores a trabalhar para evoluir e perceber melhor o jogo. Sempre admirei essa vontade de aprender e de dar o melhor de si.

Ao longo de todos estes anos, esteve presente nos bons e nos maus momentos, nas vitórias e nas derrotas. Ainda hoje, antes dos jogos, é habitual receber uma chamada ou uma mensagem dele a lembrar-me de um detalhe, de um conselho ou simplesmente a desejar-me boa sorte. São gestos simples, mas que significam muito para mim.

O basquetebol deu-nos algo muito especial: uma paixão em comum que nos aproximou ainda mais. Olhando para trás, sinto um enorme orgulho por ter sido, de certa forma, a porta de entrada dele nesta modalidade, e uma enorme gratidão por todo o tempo e dedicação que sempre colocou em tudo aquilo que fez por mim e pelo basquetebol.

4. Sei de vários minis, que participaram em dois jamborees, mas tu és penso que um caso único pois participaste em 3 jamborees. A tua terceira participação resultou do facto de teres vencido o concurso para o melhor comentário sobre o jamboree. Que memórias tens desses eventos e em que medida eles contribuíram para a tua fidelização na modalidade?
Tenho memórias muito especiais dos jamborees, sobretudo do primeiro. Lembro-me de chegar nervosa e com algum receio de ficar uma semana longe de casa e sem conhecer ninguém. No entanto, esses receios desapareceram rapidamente e acabou por ser uma experiência inesquecível. Gostei tanto que, no final, chorei porque não queria vir embora.

O que mais me marcou foi o convívio entre atletas e monitores, as amizades que fui criando e as apresentações finais que cada equipa preparava. Foram momentos de grande diversão e união que ainda hoje recordo com muito carinho.

Participar em três jamborees foi um privilégio e teve um papel muito importante na minha ligação ao basquetebol. Foi aí que fiz muitos amigos e  percebi que a modalidade vai muito além do que acontece dentro de campo. Sem dúvida, foram experiências que reforçaram ainda mais a minha paixão pelo basquetebol.

5. Nesse comentário que poderá ser lido aqui no PB no artigo a “Escolha foi difícil” de 30 de Maio de 2011 tu escreveste e cito: “… mas a parte que gostei mais foi as amizades…” Três curiosidades, ainda tens contato com participantes sejam monitores ou jogadores dos jamborees em que participaste, ainda tens contato com as jogadoras das tua equipa do Vitória Mindense e finalmente dessa geração nascida em Minde, mais alguma jogadora continua a jogar?
Sim, ainda hoje mantenho contacto com alguns participantes dos jamborees, quer monitores quer jogadores. São experiências muito marcantes e criam-se amizades muito fortes. Quando nos encontramos, mesmo passados vários anos, é sempre uma grande festa e parece que o tempo não passou.

Também mantenho contacto com as minhas antigas colegas de equipa do Vitória Mindense. Na verdade, muitas delas já eram as minhas amigas da escola antes de sermos colegas de equipa, e felizmente essas amizades mantêm-se até aos dias de hoje.

Infelizmente, nenhuma delas continua a jogar basquetebol, porque a vida acabou por as levar por outros caminhos. Ainda assim, não tenho dúvidas de que, se tivessem continuado ligadas à modalidade, teriam alcançado um nível muito elevado. Eram jogadoras com muito talento e que deixaram uma marca especial naquela geração.

6. Qual foi o teu percurso depois de saíres do Vitória Mindense e quem foram os treinadores que mais te marcaram?
Não consigo destacar apenas um treinador que me tenha marcado mais do que os outros, porque acredito que todos os treinadores que passaram pelo meu percurso deixaram ensinamentos importantes e contribuíram, de alguma forma, para o meu crescimento enquanto atleta e pessoa.

Após a minha saída do Vitória Mindense, continuei o meu percurso no Clube Desportivo de Torres Novas, onde fui treinada pelo Francisco Rodrigues, José Monteiro e pelo meu pai. Também integrei a Seleção Regional, sendo acompanhada pela Teresa Barata e o Hélder, e representei também o Santarém Basket, sob orientação do Luís Cordeiro.

Com estes treinadores aprendi valores fundamentais como o trabalho de equipa, a disciplina, exigência e o compromisso. Embora já tivesse contacto com estes valores no Vitória Mindense, por se tratar de um ambiente muito familiar, onde as minhas colegas de equipa eram também amigas da escola, foi nestes novos contextos que verdadeiramente percebi a importância de construir relações, integrar novos grupos e trabalhar em conjunto com pessoas diferentes, reforçando a ideia de que o sucesso coletivo depende do contributo de todos e percebendo que o sucesso resulta do trabalho consistente e não da sorte.

Mais tarde, durante a minha passagem pelos Salesianos de Évora com o treinador João Ponte e Sousa, vivi uma realidade mais desafiante, que me permitiu desenvolver a resiliência, a capacidade de adaptação e a importância de continuar a trabalhar mesmo perante dificuldades e resultados menos positivos.

Atualmente represento o GDR André de Resende, onde fui treinada pelo Luís Francisco e, mais recentemente, por Rui Pechincha e Diogo Casimiro. Foram treinadores que me marcaram pela capacidade de nos retirar da zona de conforto e pelo forte espírito de família que criaram dentro da equipa. Com eles aprendi a importância de definir objetivos individuais e coletivos, mantendo sempre o foco no sucesso do grupo.

Para além disso, conseguiram criar um ambiente de proximidade, confiança e entre-ajuda que me fez voltar a sentir em casa. Embora tenha sido muito bem recebida em todos os clubes por onde passei, no André de Resende reencontrei aquele sentimento de pertença e de família que tinha vivido no Vitória Mindense.

7. Depois das breves passagens pelo CD Torres Novas, Santarém Basket e Salesianos de Évora, já estás há 7 épocas na tua segunda casa em termos de basquetebol, o GDAR. Queres nos falar como tem sido a tua vivência na GDAR e como foi crescendo o sonho agora realizado de chegar à Liga Feminina?
A minha chegada ao GDRAR foi muito especial porque encontrei algo muito semelhante ao que tinha vivido no Vitória Mindense: um ambiente familiar, onde as pessoas estão sempre em primeiro lugar.

Quando cheguei, a equipa estava na CN2 e era constituída maioritariamente por atletas da formação, duas atletas universitárias e algumas jogadoras que, apesar de não serem de Évora, estavam na cidade a trabalhar. Fomos crescendo passo a passo, mais tarde chegaram duas atletas estrangeiras e conseguimos alcançar a subida à CN1.

Mas o mais importante foi que nunca perdemos a nossa identidade. Sempre fomos uma família dentro e fora de campo. Depois da subida à CN1, sentimos que o trabalho ainda não estava concluído e, durante quatro anos, lutámos por um objetivo comum: chegar à Liga Feminina.

Embora o grupo não tenha sido exatamente o mesmo ao longo destes quatro anos, com algumas jogadoras a permanecerem e outras a seguirem novos caminhos, todas deixaram a sua marca neste percurso. Este é um sucesso construído por muitas pessoas: atletas, treinadores e todo o staff, que contribuíram diariamente para tornar este sonho realidade. Ver esse objetivo concretizar-se tem um significado muito especial, porque foi alcançado graças ao esforço e à dedicação de todos os que fizeram parte desta caminhada.

8. E agora que o sonho de ser campeã nacional e de poder jogar na Liga feminina foi alcançado, quais são as tuas expectativas, sabendo que as dificuldades dos clubes do interior do país são bem maiores, que os problemas dos clubes dos grandes centros?
As minhas expectativas passam, acima de tudo, por ajudar o GDRAR a consolidar-se na Liga Feminina. Sabemos que os clubes do interior enfrentam desafios maiores, seja ao nível dos recursos, da visibilidade ou da capacidade de atrair atletas, mas também acredito que isso nos torna mais resilientes e unidos.

O primeiro grande objetivo passa por garantir a manutenção e afirmar o GDRAR neste patamar competitivo. Sabemos que vai ser uma época muito exigente, mas encaramos esse desafio com ambição e responsabilidade. Queremos competir ao mais alto nível, continuar a crescer enquanto equipa e representar da melhor forma o clube, a cidade e toda a região.

Acima de tudo, queremos mostrar que, com trabalho, união e persistência, também é possível aos clubes do interior alcançar grandes feitos e manter-se entre os melhores.

9. O basquetebol feminino tem melhorado muito no nosso país, quais são na tua opinião os motivos dessa melhoria, e que sugestão darias para o basquetebol feminino ter mais visibilidade?
Acredito que o basquetebol feminino tem evoluído bastante em Portugal devido ao trabalho que tem sido desenvolvido pelos clubes e treinadores ao longo dos últimos anos. Hoje existe uma formação cada vez mais qualificada e isso reflete-se na qualidade das atletas e das competições.

Além disso, há cada vez mais raparigas a praticar a modalidade e os excelentes resultados alcançados pelas seleções nacionais nos últimos anos têm servido de inspiração para as gerações mais novas, contribuindo para o crescimento e valorização do basquetebol feminino.

Quanto à visibilidade, penso que ainda há margem para crescer. Uma maior divulgação dos jogos, dos clubes e das histórias das atletas, quer nos meios de comunicação quer nas redes sociais, ajudaria a aproximar mais pessoas da modalidade e a dar ao basquetebol feminino o destaque que merece.

10. Muito obrigado pela tua simpatia e disponibilidade e dares esta entrevista e termino com a seguinte questão: Que pergunta gostarias que te fizessem e que resposta darias?
A pergunta que gostava que me fizessem seria: “O que é que o basquetebol te deu para além dos resultados?

A minha resposta seria que o basquetebol me deu muito mais do que vitórias, títulos ou subidas de divisão. Deu-me amizades para a vida, ensinou-me a trabalhar em equipa, a lidar com as derrotas, a ser resiliente e a nunca desistir dos meus objetivos. Fez-me crescer como atleta, mas acima de tudo como pessoa.

É uma modalidade que me acompanha desde criança e que me proporcionou algumas das melhores experiências da minha vida. Por isso, independentemente daquilo que ainda possa conquistar dentro de campo, serei sempre grata por tudo o que o basquetebol me deu ao longo destes anos.


Paracópios pelo os das vindimas convertidos foste uma façanhas fantástica.”*

*Linguajar típico de Minde, que poderá ser traduzido por: Parabéns pelos cestos foste uma jogadora fantástica.

 

 


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