A vida é feita de curiosidades e coincidências. Esta semana já tinha planeado escrever sobre as regras do minibásquete, que vão variando de torneio para torneio, facto que como todas as opções tem vantagens e desvantagens.
Não vou expor quais são as vantagens e desvantagens de não haver um regulamento uniforme para o minibásquete.
Por ser o patrono do AMC Algarve Minibasket Cup, uma vez mais fui convidado pelo “Bonjoanenses” para marcar presença no evento e cruzei-me com o Miguel Santos, que fez um trabalho fantástico na direção dos muitos jovens que compareceram no evento para arbitrar os jogos. Numa partilha de ideias e informações, o Miguel relatou-me a sua experiência de acompanhar equipas de minibásquete a Espanha, onde também não há uniformidade nas regras e regulamentos, nos torneios e competições de minibásquete.
De tudo o que o Miguel me transmitiu a regra que me chamou mais à atenção, foi o facto de haver competições em Espanha, que há segunda falta técnica dada aos jogadores, quem é desqualificado, vulgo expulso, é o treinador. É uma regra que dá que pensar, mas cuja finalidade é para mim perfeitamente percetível.
Independentemente das diferenças de torneio para torneio, segundo Juan Carlos Mitjana (Árbitro internacional e treinador superior), todos os códigos de regras para o minibásquete devem cumprir os seguintes princípios:
- Favorecer o jogo limpo.
- Equilíbrio ataque/defesa
- Definições claras e curtas
- Uma boa ordenação e codificação
- Brevidade no texto
- Poucas exceções
- Manter a segurança física dos participantes
- As regras têm de ser práticas
- Tem de dar fluidez ao jogo
- Evitar dar vantagem ao infrator
Para cada um dos princípios poderia tecer aqui algumas considerações, mas hoje vou me concentrar apenas no sétimo e nono princípio. Pediram-me para ter uma intervenção na reunião técnica do torneio e foi com grande satisfação que ouvi a minha amiga de longa data, (desde o primeiro jamboree em 2001), a Christine Silva atual treinadora do CLIP, alertar para esta a segurança dos praticantes.
A salvaguarda da segurança física dos participantes tem de ser uma preocupação vital. Quanto à fluidez do jogo achei acertadíssima, por se tratar dum torneio com tempo corrido, a decisão de no caso de falta em ato de lançamento, haver apenas um lance livre, que vale 2 pontos.
No próximo artigo abordarei uma das regras mais polémicas praticada por algumas associações e em alguns torneios, a regra na minha perspetiva, erradamente apelidada pela proibição do roubo de bola.
Contudo há para mim uma diferença fundamental em arbitrar minibásquete e arbitrar basquetebol. Primeiro temos de compreender de que escalão de minibásquete estamos a falar, e depois temos de compreender em que grau de evolução de conhecimento do jogo estão os praticantes. A diferença fundamental em arbitrar minibásquete e basquetebol. No minibásquete fases iniciais, arbitrar é compreender e interpretar o grau de desenvolvimento motor das crianças. No basquetebol arbitrar é interpretar e aplicar as regras do jogo.
Como é evidente um praticante de minibásquete Mini-12, com 6 anos de prática está tendencialmente, em termos de regras, já muito afastado da fase de iniciação e já muito próximo do basquetebol. Contudo nestas idades e se estamos preocupados com a captação e aumento do número de praticantes, temos de criar situações e soluções para todos. Não me canso de dizer que uma das dificuldades estruturais do basquetebol é que apesar de ter havido um grande crescimento de 2000 para cá, o escalão de Sub-14 tem mais praticantes que o escalão de Sub-12. Este é um problema que continua a urgir encontrar soluções.












