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ComparaçõesDe volta e meia leio comparações entre o basquetebol português e o basquetebol espanhol. Desta vez vieram algumas comparações vindas de Espanha, elogiando o nosso país,

fruto da brilhante vitória de Portugal em Saragoça. Contudo, na maior parte das vezes, por detrás destas comparações feitas em Portugal, há uma intenção implícita de criticar e dizer mal da federação e do basquetebol nacional.

Embora compreenda algumas dessas críticas, estas raramente vão à questão mais importante de todas, a questão cultural. Esta questão é que permite que países como a Lituânia, a Letónia e a Eslovénia, entre outros, tenham, tanto protagonismo no basquetebol internacional.

Para além de outros motivos é a questão cultural que permite uma maior expressão social da modalidade, o que contribui para um maior rácio de praticantes entre a população, maior visibilidade e maior financiamento. Esta representa uma grande vantagem da Espanha sobre Portugal, que raramente é abordada.

Gostamos muito de fazer comparações com Espanha, mas para mim e já o escrevi várias vezes o que me intriga é a capacidade da Islândia, competir em várias modalidades, nomeadamente, futebol, andebol e basquetebol, com muitos países europeus com maior dimensão e população. O argumento da compleição física dos islandeses não é razão suficiente, pois não difere muito de outros países nórdicos com muito mais habitantes e piores prestações, nomeadamente no basquetebol.

Focando-me no basquetebol, a pergunta é a seguinte: Como é que um país, com cerca de 394.000 habitantes, menos habitantes que o concelho de Sintra consegue melhores resultados globais na formação que Portugal? Alguém está a imaginar o concelho de Sintra a participar como país nos campeonatos da Europa e ter resultados semelhantes aos da Islândia? Acresce que sendo uma ilha os contactos internacionais também não estão facilitados.

Fiquei a saber um pouco da realidade da Islândia, pela entrevista que fiz ao Miguel Maria Cardoso e indubitavelmente que as razões principais são de índole cultural, a começar pelo número de horas e a importância dada à educação física nas escolas desde os jardins de infância até ao 12º ano, passando depois pela sua organização desportiva. Como disse o Miguel Maria Cardoso na entrevista mencionada: “Eles dizem que são tão poucos que não se podem dar ao luxo de dispensar alguém com 10,11,12 anos, por naquele momento não ser o melhor jogador da sua idade.”

Reler a entrevista do Miguel Maria ajuda a compreender como é que um país com tão poucos habitantes, consegue ter melhor prestações no basquetebol de formação do que Portugal. Eis então a comparação entre a Espanha, Islândia e Portugal nos campeonatos da Europa de Sub-20, Sub-18 e Sub-16 masculinos e femininos. A Islândia apenas ficou atrás de Portugal nos Sub-16 femininos.

Quanto aos brilhantes resultados de Espanha estes passam, como referi, pela questão cultural, mas também pelo processo de organização e trabalho da federação espanhola, com as suas seleções jovens. Não conheço todas as realidades, mas para mim, talvez seja, o processo melhor estruturado, em toda a Europa.

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