Jogar sob pressão e atacar o 2x1 (Trap)

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Jogar sob pressão e atacar o 2x1 (Trap)Atualmente a defesa premente é a arma mais utilizada para contrariar o fluxo ofensivo da equipa adversária e criar situações de surpresa muito pressionantes que podem forçar maus passes e algumas perdas de bola.

O basquetebol é um jogo sujeito a vários constrangimentos.

Tratando-se de um jogo de confronto, a pressão sente-se quando o tempo dado pelo adversário é inferior ao tempo preciso para executar a ação. Se o tempo dado é superior ao tempo necessário a pressão é fraca; quanto menos tempo é dado maior é a pressão. Esta é a realidade que sempre encontramos quando defrontamos equipas de nível superior e, por isso, é neste contexto que devemos treinar.

O jogo deve ser analisado através desta relação de forças; quem o vai ganhar é aquele que conseguir fazer reduzir ou aumentar a pressão a seu favor.

Estes constrangimentos exigem adaptações aos jogadores. Jogar e pensar rápido para executar uma ação ou para procurar um companheiro sem se enervar para evitar cometer erros.

Para aumentar o tempo dado pelo adversário é preciso criar a incerteza total e pôr o adversário a reagir a uma ação imprevista, não agir sempre da mesma forma e dar falsas informações (fintas).

Minimizar erros deve ser um objetivo básico de qualquer ataque e contra defesas pressionantes que procuram exatamente provocar más decisões é exigida muita tranquilidade, concentração e estar preparado para não ser surpreendido.

Em todo o caso, está claro que esta opção tem riscos.

Ainda que reconhecendo dificuldades acrescidas no ataque à pressão pode ser possível jogar de forma eficaz e eficiente se se explorar os riscos que se correm quando se tomam essas opções.

Atacar a defesa, passar rapidamente a linha do meio campo e, na eventualidade de um 2x1, ser capaz de transformar essa situação numa vantagem ofensiva através de conceitos que passamos a referir:

1) Detetar com antecipação o que vai fazer a defesa
Prévias indicações do “scouting” podem ajudar a equipa a antecipar-se à realização da pressão com o uso de fintas, movimentos de ida e volta ou iniciar uma penetração para obrigar os adversários a reagir (ajudas antecipadas ou saltar ao 2x1) e a seguir parar e retroceder, passar a bola a um colega para que a defesa se recomponha e logo a seguir receber um passe de volta.

2) Colocar um colega atrás da linha da bola | Passe de segurança
Assegurar uma linha de passe em caso de emergência, sem esquecer a regra dos 8 segundos; habitualmente as defesas não pressionam tão em cima. Inverter o lado da bola é uma das armas mais expeditas para atacar a defesa premente seja através de passe ou de uma mudança de direção e de mão em drible.

3) Mudar o lado da bola
Sem esquecer o perigo dos passes longos e bombeados a verdade é que um passe cruzado para o lado contrário da bola rompe de forma definitiva a defesa premente que habitualmente privilegia a defesa dos passes mais próximos.

4) Colocar a bola na zona central
Conceito básico que permite afastar a bola das linhas laterais no meio campo através de três ações, penetração direta em drible, passe e corte ou desmarcações do lado contrário da bola até ao centro do campo, para se não receber, se afastar imediatamente e ser substituído por outro colega que aproveita o aclarado.

Recomenda-se também que, a não ser por razões estratégicas, não se deve renunciar à marcação de pontos se a defesa consentir um cesto fácil, assim como estabelecer regras na reposição da bola na linha final após cesto convertido.

O 2x1 (trap) utilizado na confluência da linha lateral com a linha final ou de meio campo, assim como nos bloqueios diretos ou na posição de poste baixo é a ação mais usada para criar dificuldades ao atacante com bola ao isolar a sua posição em relação aos colegas de equipa.
Implica por isso a necessidade de ler o jogo, decidir e executar com maior rapidez.

Ler o jogo e perceber o que se está a passar é condição fundamental para evitar erros graves; simples detalhes, não olhar para a bola enquanto se dribla evita muitas perdas de bola, assim como os dribles reversos não são nada aconselháveis contra qualquer tipo de pressão.

Importará por isso tomar algumas precauções como por exemplo não parar o drible antes de saber a quem passar, na progressão em drible evitar as linhas laterais, atacar o 2x1 com um recuo inicial em drible e ultrapassar um dos defesas com uma saída em “crossover”.
Concretizado o 2x1 e caso o atacante ainda não tenha driblado pode tentar dividir a defesa (split) a partir da posição ofensiva básica.

No 2x1 ao poste baixo, ação defensiva repetida vezes sem conta, este jogador ao receber a bola deve, de imediato, olhar por cima do ombro para perceber o que está a acontecer e aproveitar as oportunidades que eventualmente possam surgir, identificando quem e de que lado faz a ajuda. Sendo o defesa do passador a melhor forma de o dissuadir é fintar a devolução do passe. Em todas as circunstâncias é importante não ser egoísta e devolver a bola aos jogadores do perímetro exterior.

Caso o 2x1 se concretize, driblar para longe com a mão do lado do pé mais afastado para abrir ângulo e fazer um passe rápido e seguro que leve a bola ao lado oposto aonde encontrará provavelmente um jogador livre.

No 2x1 do bloqueio direto os três defesas não envolvidos nesta ação costumam ajustar posições, atentos a uma possível interseção do passe.  Competirá ao atacante com bola castigar a defesa, após criar o maior espaço possível no drible de recuo para depois procurar o colega livre (4x3) e assim beneficiar da vantagem numérica.

Há ainda a possibilidade de tentar outras opções tais como:

a) Falso bloqueio
O bloqueador simula esse bloqueio e corta para o cesto. Isto acontece quando o defesa do bloqueador se antecipa para ganhar melhor posição no 2x1, situação essa que possibilita o passe e cestos fáceis.

b) “Pick and Pop”
O bloqueador em vez de cortar para o cesto abre para o perímetro exterior na zona da linha dos 3 pontos.

c) Passe reverso e ganho de posição a poste baixo.
Ação pouco utilizada, mas muito eficaz; cumprido o drible de recuo do atacante e o corte do bloqueador, o passe de saída sai para o mesmo lado e dá hipóteses de passe interior ao poste baixo.

 
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