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Foi bonito mas foi pena!

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altFoi numa das muitas conversas de café (no antigo Palladium) que eu mantinha com o Prof. Mário Lemos, que eu ouvi pela primeira vez falar do José Mário Soares.

O professor, seu treinador e meu adversário, falava-me dele com grande entusiasmo e garantia-me que tinha ali um excelente praticante de basquetebol, muito em breve.

José Mário era júnior e eu ainda não o tinha visto jogar.

Contudo, mais tarde tive possibilidade de comprovar o talento do promissor José Mário. Aconteceu durante um jogo treino promovido pelo Prof. Mário Lemos, que opunha um misto de seniores de vários clubes, onde eu alinhei, e a jovem equipa da F.I.S.E.C. que iria competir internacionalmente.

Aí vim a confirmar tudo o que o professor me tinha confidenciado e experimentei sérias dificuldades para parar ou ultrapassar este jovem júnior, que viria a ser mais tarde meu adversário de respeito nos jogos entre Benfica e Sporting.

Depois da sua entrada na equipa sénior, aconteceram os inúmeros confrontos, onde curiosamente, os nossos treinadores nos incumbiam de sermos adversários directos em quase todos os jogos. Era um bico-de-obra defender o José Mário.

A única solução possível para sair com êxito da missão era tentar não o deixar receber a bola.

O Zé era um excelente lançador e possuía uma técnica individual invejável que lhe permitia concretizar facilmente. Apesar de adversários implacáveis em campo, nunca houve entre nós um único problema quer em jogo ou fora de jogo e cedo nasceu uma grande amizade que ainda hoje perdura. Durante as nossas carreiras desportivas passámos por diversas situações umas ligadas ao basquetebol, outras no desempenho das nossas profissões, que foram cimentando a nossa aproximação e admiração de um pelo outro.

Fomos adversários representando os nossos clubes (Benfica e Sporting), depois, companheiros de equipa  na selecção nacional, posteriormente quando decidi ser treinador no Clube Nacional de Natação, José Mário desejou ingressar na minha equipa e fui seu treinador.

Finalmente quando José Mário treinou o Ateneu Comercial de Lisboa, foi a altura de eu passar a ser seu jogador e tudo correu sempre da melhor maneira.

Mas o nosso espírito de equipa teve também outra faceta ainda mais importante. Na nossa vida profissional fomos colegas de trabalho na mesma companhia durante praticamente uma vida inteira, sempre com óptimos resultados, grande espírito de entrega e mútua colaboração.

Trabalhámos juntos em Angola e em Portugal, sempre na mesma companhia sempre com um relacionamento muito próximo, até que o José Mário foi nomeado Director pelo que tive a felicidade de mais uma vez trabalhar sob a orientação do meu amigo de sempre.

José Mário como Director era um autêntico “coach” e o seu espírito de equipa  esteve sempre presente em todas as ocasiões.

Estas foram as nossas relações pessoais, desportivas e profissionais no passado. Hoje, ambos reformados lá nos vamos encontrando de tempos a tempos, recordando histórias comuns muito ricas e agradáveis.

Resta-me por fim abordar as qualidades do José Mário Soares. Considero-o um homem com “H” grande de extraordinário carácter moral e ético.

Como desportista e basquetebolista foi para mim um a referência do nosso basquetebol, admirado por companheiros e adversários, Várias vezes campeão Nacional pelo seu Sporting, chegou a capitão de equipa quando Hermínio Barreto deixou de jogar. Muitas vezes internacional teve oportunidade de defrontar equipas de grande nível mundial, entre elas a selecção do Brasil, campeã do mundo de então.

Mas uma das mais interessantes experiências porque José Mário passou e que encheu de orgulho companheiros e adversários, aconteceu quando foi convidado pelo famoso Real Madrid para ingressar ma sua equipa (já então campeã europeia).

Não aceitou, pois não se queria naturalizar espanhol, uma vez que os lugares autorizados para estrangeiros já estavam preenchidos por jogadores norte-americanos.

Foi bonito mas foi pena!

Mas José Mário Soares tinha tido a coragem de resistir à grande tentação de se tornar profissional de basquetebol.

Bem hajas José Mário, grande adversário, grande companheiro, grande amigo!

Muitas felicidades na tua nova profissão de Avô Militante!

Manuel Campos

 

 


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