Que caminho para o sucesso?
 
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Que caminho para o sucesso?

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altQuando em 1994 cheguei a Leiria, o basquetebol feminino tinha uma representação desportiva de relevo. O Núcleo do Desporto Amador de Pombal (NDAP) tinha recentemente sido Campeão Nacional de Cadetes,

a iniciativa de um homem apaixonado pelo basquetebol (e por resultados desportivos também) deu vida a um projeto que ainda hoje constitui uma referência para lá dos grandes centros basquetebolísticos de Porto, Aveiro e Lisboa. César Correia era Treinador, Dirigente, Motorista, Roupeiro, Patrocinador, etc. Hoje, afastado da modalidade poderá sentir-se orgulhoso pelo facto do seu clube de sempre continuar na ribalta e, finalmente nos diria, ter o reconhecimento expresso no facto de ter no seu plantel uma atleta internacional, no que ao basquetebol de formação diz respeito. Falamos de Beatriz Jordão, uma vez que, anteriormente, se a memória não me atraiçoa, apenas a Rita Ponte e as irmãs Adriana e Rita Martins tinham sido internacionais, como atletas do clube.

Mas voltemos ao início, a 1994. Como referi o NDAP era um clube onde apareciam, a iniciar a modalidade, raparigas com enorme potencial. A Maria Antónia (Mitó), a Carolina, a Isabel Pereira, a Sónia, a Cristina, a Ana Maria, a Rita Ponte, a Adriana e Rita Martins, a Ana Antunes ou a Inês Jorge, são alguns dos nomes que realço, entre muitas outras, que passaram pelos escalões de formação do clube, relevando enorme potencial para a modalidade. De 1994 a 2013, quase 20 anos passados, o NDAP proporciona a imensas atletas do sexo feminino a oportunidade de crescerem e se tornarem praticantes de relevo na modalidade. Mas em 1994, apenas existia um clube feminino no distrito de Leiria. A seleção distrital de iniciadas ou de cadetes era, simplesmente, a equipa do NDAP. Mesmo assim, andou sempre entre as 8 melhores associações do país. O surgimento de uma equipa senior parecia ser um sinal de que o caminho do sucesso estava traçado. Apenas constituída por atletas formados no clube, o NDAP dava sinais de sustentabilidade.

Com o passar dos anos, outros projetos femininos surgiram no distrito. O Instituto D. João V talvez tenha sido aquele que mais se destacou. Não obstante a divisão existente em Pombal no início deste século, originando o Basquete Clube de Pombal (clube que no seu primeiro ano de existência foi campeão nacional da 2ª divisão e militou na 1ª divisão), foi o D. João V que atingiu a excelência, conquistando o título de Campeão Nacional da 1ª Divisão meses antes de extinguir a sua secção de Basquetebol.

Sem dúvida que se viveram tempos em que desportivamente o basquetebol feminino alcançou bons resultados. Mas o que impede actualmente o distrito de Leiria de ter um projeto senior feminino? O virar do século coincidiu igualmente com o aparecimento de mais clubes femininos na AB Leiria, ou reactivação de outros. Pimpões, Basket Clube do Lis, S C Marinhense, AMCR Cartaria, Soutocico e recentemente o Stella Maris e o Clube Basquetebol de Leiria, são exemplo disso mesmo. Aumento quantitativo, mas inexistência de um projeto senior. Pimpões e NDAP ainda tentaram há poucos anos participar no escalão mais alto, mas depressa entenderam não possuírem estrutura para dar continuidade ao projeto, terminando após uma época desportiva.

A resposta  a esta dificuldade facilmente se encontra nas dificuldades financeiras dos clubes ou no êxodo de atletas do distrito para polos universitários onde a continuidade da prática da modalidade fica comprometida ou tem continuidade num clube próximo desses mesmos centros. Provavelmente pelo país fora podemos encontrar cenários idênticos, onde a expansão do basquetebol feminino é relevante no minibasquete, nos sub-14 e sub-16, mas inicia a sua “morte” no escalão de sub-19. Como resolver este problema? Não sei. Sei que, numa época onde os resultados desportivos das nossas seleções atingem um patamar que parecia inatingível, se assiste a um decréscimo da prática do basquetebol feminino, pelo menos fora dos grandes centros urbanos. Ainda que o número de equipas participantes no campeonato da 2ª divisão tenha aumentado, Leiria não contribuiu para esse aumento.

Verificando-se cenário parecido no sector masculino, parece ser mais evidente que o distrito de Leiria vê um número significativo de atletas abandonarem a modalidade aos 17, 18 anos ou, em número mais reduzido, continuarem a sua prática fora da área da AB Leiria. Poderemos um dia voltar a falar de uma carreira desportiva no Basquetebol Feminino para um número significativo de atletas oriundas de clubes da AB Leiria? Voltarão a existir projetos seniores nalgum clube desta associação? Poderemos pensar que resultados desportivos poderão vir a ser alcançados por uma equipa desta zona do País?

É uma triste incerteza que apenas é contrariada pela esperança que o sorriso e a alegria de jogar da Beatriz Jordão nos trazem. Em Pombal aparecem sempre raparigas altas, dirão alguns. Leiria tem muitas mais equipas femininas relativamente há 15 anos a esta parte, dirão outros. Mas falta algo mais do que simplesmente os escalões de formação.

Sonhando, gostaríamos de ver algures pelo distrito a força e a coragem que os sócios e amantes do Sporting Clube Marinhense colocam na tentativa de manterem a identidade do clube através de uma equipa senior. Esperamos melhores dias e alguns sinais de que poderá um dia voltar a existir uma equipa senior feminina na AB Leiria. Até lá ficam os votos e o reconhecimento pela forma como os clubes procuram manter o basquetebol feminino de formação vivo e com continuidade. Será sempre esse o início do caminho para o sucesso.

 

Comentários 

 
+1 #1 San Payo 14-11-2013 17:07
Caro João
Sabes que é sempre com muita atenção que leio os teus artigos, quer os técnicos quer os de reflexão. Este teu artigo vem reforçar algumas das minhas reflexões expostas aqui no Planetabasket nomeadamente entre outros nos artigos “Estar atento aos sinais de 21MAI09”, e “Sinais contraditórios” 12SET12. Seria muito bom que todas as Associações fizessem o exercício de breve reflexão histórica que acabas de fazer. Compreender o desaparecimento das equipas seniores femininas nas Associações de menor dimensão, num momento de crescimento das equipas seniores femininas no país, tudo isto num contexto de crise, deve-nos no mínimo levar a uma reflexão sobre estes fenómenos.
Um abraço
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